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Comunidade coreana no Brasil comemora 60 anos da imigração

A comunidade coreana católica do Brasil está completando 60 anos da imigração, que trouxe cerca de 1.300 coreanos aos portos do Rio de Janeiro e Paranaguá na década de 60. Hoje, dados da comunidade apontam que os coreanos residentes no país chegam a 60 mil, e sua história será contada neste final de semana, em evento comemorativo no Centro de Curitiba.

No sábado (17), será realizado um jantar típico para descendentes e autoridades convidadas. Já no domingo (18), a comunidade coreana católica de Curitiba organiza uma missa aberta ao público na Catedral Metropolitana.

A programação religiosa será dirigida em português e coreano, com homenagem aos primeiros imigrantes católicos que chegaram. Depois, seguirá com uma procissão da estátua de Nossa Senhora das Graças que foi trazida ao Brasil de navio, em 1966.

Para Myong Jae Han, líder da comunidade, “comemorar os 60 anos de imigração é uma ocasião para revelar e preservar nossa origem aos nossos descendentes”. Além disso, ele afirma que é uma oportunidade “para agradecer a Deus, aos amigos e ao povo brasileiro pela acolhida e pelo apoio ao longo dessas seis décadas.”

Vale ressaltar que o evento será voltado à história dos imigrantes coreanos católicos que chagaram a partir de 1966. Outros imigrantes da Coreia do Sul já haviam desembarcado no Brasil três anos antes, em 1963.

Imigrantes recordam a jornada dos pioneiros

Entre os imigrantes que participam das comemorações deste fim de semana está a empresária Moon ok Kim, conhecida como Pina. Proprietária de um restaurante coreano na capital paranaense, ela conta que chegou ao Brasil durante sua infância e viu a vida da família se transformar.

“Viramos agricultores do dia para noite, sem eletricidade, sem saneamento”, relata a idosa de 66 anos, que morou nas pequenas casas de madeira construídas para abrigar os viajantes. Eles fugiam da Coreia por medo de uma nova invasão pela Coreia do Norte e pela pobreza que crescia no país asiático.

1967 – Moon Suk Kim (Teresa), Moon ok KIm (Pina) e Moon Ja Kim (Maria) após a chegada ao Brasil, na década de 60. Foto: Arquivo pessoal/Kap In Kim (José)

“Naquela época, a situação do Brasil era muito melhor do que a da Coreia, em todos os sentidos”, afirma Pina, que acompanha com tristeza “a oscilação frequente do Brasil de lá para cá”.

Segundo dados disponibilizados pela comunidade coreana, 53 famílias católicas deixaram a Coreia em 17 de novembro de 1965 e chegaram ao Rio de Janeiro em 9 de janeiro de 1966. Elas tiveram apoio do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário, do Itamaraty e de órgãos da igreja no Brasil.

No Paraná, os imigrantes coreanos católicos desembarcaram em Paranaguá no dia 12 de janeiro de 1966 e seguiram de trem até as cidades de Ponta Grossa e Tibagi. Eles construíam casas de madeira, preparavam a terra manualmente para cultivar arroz e batata, e criavam granjas para sua sobrevivência.

Muitos imigrantes se estabeleceram na Fazenda Santa Maria, em Tibagi. Foto: Arquivo pessoal/Kap In Kim (José)

Comunidade coreana dá valor à disciplina, ética e educação

Os imigrantes recordam ainda que a comunidade sempre esteve fundamentada em valores como disciplina, coletividade, ética no trabalho e educação. Para isso, os jovens percorriam 35 km diariamente para estudar, superaram barreiras linguísticas e culturais, e conquistaram diplomas em medicina, direito e engenharia.

Esse investimento na educação, segundo a comunidade, também fez com que a cultura coreana se difundisse pelo Brasil por meio de festivais de cinema e gastronomia, e conquistasse admiração dos brasileiros por fenômenos globais como K-Pop, K-Drama e K-Beauty.

A comunidade coreana sempre valoriziou a educação, e jovens percorriam até 35 km diariamente para estudar. Foto: Arquivo pessoal/Kap In Kim (José)

O fortalecimento da comunidade coreana também atraiu investimentos para o país, como a atual construção da fábrica de eletrodomésticos da LG Electronics, em Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Ao todo, a obra supera R$ 1,5 bilhão e foi articulada pelo governador Ratinho Junior após missão internacional à Coreia do Sul, em 2023.

Como participar do evento de comemoração?

No sábado (17), o evento voltado para descendentes e autoridades previamente convidadas iniciará às 18h30 no Clube Concórdia, localizado na Rua Duque de Caxias, 150, no bairro São Francisco, em Curitiba.

Já a Missa em Ação de Graças aberta ao público inicia às 10h do domingo (18)  na Catedral Metropolitana de Curitiba. A igreja fica na Rua Barão do Cerro Azul, 31, no Centro da capital paranaense.

Autor: Gazeta do Povo

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