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Conceito de cidades inteligentes é tema de evento em Curitiba

O conceito de cidades inteligentes tem ganhado espaço no debate sobre o futuro urbano, impulsionado pela digitalização da gestão pública e pela busca por soluções mais eficientes para problemas históricos das cidades. Mais do que o uso de tecnologia, especialistas apontam que o modelo envolve uma mudança estrutural na forma como os municípios planejam, executam e avaliam políticas públicas.

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É esse cenário de transformação que será debatido no Smart City Expo Curitiba 2026, considerado o maior evento de cidades inteligentes das Américas. O encontro ocorre entre os dias 25 e 27 de março, na Ligga Arena, com expectativa de reunir mais de 23 mil participantes na capital paranaense.

Na prática, uma cidade inteligente é aquela que utiliza dados, conectividade e ferramentas digitais para melhorar serviços, otimizar recursos e ampliar a qualidade de vida da população. “É a integração de tecnologias digitais e dados em tempo real para tornar a gestão mais eficiente, sustentável e centrada no cidadão”, explica o arquiteto e urbanista Orlando Ribeiro, professor da  Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Embora o conceito ainda não tenha uma definição única, há consenso de que ele passa por diferentes áreas da administração pública. Mobilidade, segurança, meio ambiente, governança e inclusão digital estão entre os pilares mais recorrentes. Para o professor Denis Alcides Rezende, da PUCPR, o ponto central não é a tecnologia em si, mas sua aplicação estratégica. “O mais adequado é utilizar os recursos da tecnologia da informação com base nas estratégias da cidade e na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos”, afirma.

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Como funcionam as cidades inteligentes na prática

O impacto desse modelo pode ser percebido em diferentes aspectos do cotidiano urbano. Sistemas de monitoramento de trânsito, por exemplo, permitem ajustes em tempo real para reduzir congestionamentos. Na área de serviços públicos, plataformas digitais possibilitam o acesso remoto a atendimentos que antes exigiam deslocamento até órgãos municipais.

Um dos principais instrumentos dessa transformação são os chamados dashboards: painéis digitais que reúnem e organizam informações em tempo real sobre diferentes áreas da cidade, como trânsito, saúde, segurança e consumo de recursos. Com esses dados centralizados e visualmente organizados, gestores conseguem identificar problemas rapidamente e tomar decisões mais assertivas.

Segundo Ribeiro, o uso de dados tem permitido uma gestão mais proativa. “Com dashboards em tempo real, é possível tomar decisões mais rápidas, otimizar operações e até antecipar problemas, como enchentes ou picos de demanda por serviços”, diz.

Esse tipo de transformação também tem avançado por meio da digitalização de processos administrativos. É nesse contexto que surgem as chamadas govtechs, empresas de tecnologia voltadas ao setor público. Um exemplo é a Aprova Digital, plataforma brasileira que permite que processos municipais tramitem de forma 100% digital, do pedido do cidadão até a análise pelas secretarias e a entrega do resultado final.

Para Marco Antonio Zanatta, CEO da empresa, a mudança vai além da adoção de sistemas. “A digitalização elimina burocracias, reduz custos e dá mais transparência à gestão. O cidadão passa a resolver demandas pelo celular, enquanto o gestor tem dados para decidir melhor”, afirma.

De acordo com ele, a transformação digital no setor público deixou de ser pontual e passou a ser estrutural. “Hoje, tecnologia é instrumento de resultado concreto. Ela impacta diretamente a eficiência da gestão e a percepção da população sobre o serviço público”, completa.

Serviços digitais integrados à rotina urbana mostram como as cidades inteligentes impactam diretamente a vida do cidadão.
Serviços digitais integrados à rotina urbana mostram como as cidades inteligentes impactam diretamente a vida do cidadão. (Foto: Ricardo Marajó/Prefeitura de Curitiba)

Quais são os desafios para ampliar as cidades inteligentes no Brasil

Apesar dos avanços, o desenvolvimento das cidades inteligentes no Brasil ainda enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão limitações de infraestrutura, desigualdades sociais e dificuldades de integração entre diferentes áreas da administração pública.

“O país tem iniciativas relevantes, mas o avanço é desigual entre regiões e municípios”, avalia Rezende. Segundo ele, questões como capacitação técnica, planejamento estratégico e inclusão digital são determinantes para o sucesso dos projetos.

Ribeiro também destaca a necessidade de superar barreiras estruturais. “Há desafios como conectividade insuficiente, orçamento limitado e a fragmentação de dados entre secretarias. Além disso, é preciso garantir que a tecnologia não amplie desigualdades”, afirma.

Outro ponto sensível é a mudança cultural dentro das próprias administrações públicas. A adoção de novas tecnologias exige capacitação de servidores e adaptação de processos internos, o que nem sempre ocorre de forma rápida ou uniforme.

Ainda assim, especialistas apontam que o Brasil tem consolidado experiências relevantes, especialmente em capitais e cidades médias. Curitiba, por exemplo, é frequentemente citada como referência nacional em mobilidade e inovação urbana, com iniciativas que integram tecnologia e planejamento urbano.

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Smart City Expo Curitiba reúne especialistas e gestores

Organizado pelo iCities, com chancela da Fira Barcelona, o Smart City Expo Curitiba 2026 tem como tema “Cidades como Lugares para Inovar, Criar e Vivenciar” e reúne representantes do setor público, empresas, pesquisadores e especialistas para discutir soluções urbanas.

Para Beto Marcelino, sócio do iCities, a diversidade de participantes é um dos diferenciais do encontro. “Prefeitos, empresários e acadêmicos de diferentes realidades se encontram para discutir problemas comuns e trocar experiências sobre o que funciona ou não nas cidades”, afirma.

Entre os principais temas da edição deste ano estão o uso da inteligência artificial na gestão pública, mobilidade urbana e segurança, além de soluções como monitoramento inteligente, digitalização de serviços e novas tecnologias aplicadas ao planejamento urbano.

Segundo Marcelino, o crescimento do evento reflete uma demanda crescente por soluções urbanas mais eficientes. “As cidades estão se digitalizando e buscando melhorar a qualidade dos serviços públicos. Isso atrai cada vez mais interesse de gestores e empresas”, diz.

Além das discussões, o evento também deve impulsionar negócios e parcerias, reforçando o papel do setor na transformação das cidades brasileiras. Para os especialistas, o avanço das cidades inteligentes depende justamente dessa articulação entre poder público, iniciativa privada e academia, um movimento que tende a se intensificar nos próximos anos.

Autor: Gazeta do Povo

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