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Congresso salva Nasa, mas cancela retorno de amostras – 18/01/2026 – Mensageiro Sideral

Os Estados Unidos parecem ter jogado a toalha no esforço para trazer amostras de Marte para estudo na Terra –isso apesar de o rover Perseverance seguir fazendo seu trabalho por lá, colhendo núcleos de rocha de maior interesse dos cientistas. Haja perseverança.

Após um longo embate, o Congresso americano fechou o orçamento da Nasa para o ano fiscal de 2026, e no geral as notícias são boas para a agência espacial americana. O gasto anual total ficou estimado em US$ 24,4 bilhões –1,7% a menos do que o do ano anterior. Um grande alívio, já que a proposta original da Casa Branca, apresentada em julho, previa um corte de quase 25%, para US$ 18,8 bilhões.

A atual gestão federal americana, não é segredo, anda em pé de guerra com a ciência, cortando verbas de universidades e sabotando esforços de pesquisa. Na Nasa, o plano era dizimar o departamento de ciência, cortando-o em 50%. A decisão obrigaria ao cancelamento de 41 missões, muitas delas já no espaço e operando. Seria a autodestruição da Nasa.

Nunca antes houve uma gestão presidencial que tentasse realizar um corte dessa magnitude. Nunca antes houve um Congresso tão passivo e conformado diante de políticas públicas tão insensatas (para ser gentil). O desfecho era imprevisível. Acabou sendo positivo.

Com o orçamento praticamente restaurado em um acordo costurado entre Senado e Câmara, as duas casas votaram e aprovaram a nova peça orçamentária na última quinta-feira (15). Em vez de perder 47%, o setor de ciência da agência perdeu apenas 1%. Falta agora apenas a sanção de Donald Trump –o que, fosse qualquer outro presidente, já seria favas contadas. Com este, nunca se sabe. Ele dando o autógrafo, passa a ver o novo orçamento, retroativo a 1º de outubro de 2025, quando começou o ano fiscal.

Uma montanha-russa como essa, mesmo revertida, não vem sem estragos. Durante os meses de impasse, o governo implementou um programa agressivo de demissão voluntária que levou mais de 4.000 funcionários a deixarem a Nasa. Essa perda não se recupera numa canetada.

Há, contudo, motivos para esperança. O escritório de educação da agência foi restituído, e as missões que estavam na guilhotina foram salvas. Aqui vai uma lista das que Trump queria cancelar e o Congresso trouxe de volta à vida: Neo Surveyor (pesquisa de asteroides), DaVinci (Vênus), Veritas (Vênus), EnVision (Vênus), Osiris-Apex (asteroide), New Horizons (cinturão de Kuiper), Juno (Júpiter), Mars Odyssey (Marte), Mars Express (Marte), Maven (Marte), Rosalind Franklin (Marte), missão a Urano, Observatório Chandra (telescópio de raios X), Lisa (detector de ondas gravitacionais), Ultrasat (telescópio de ultravioleta), Landsat Next, Terra, Aqua e Aura (observação da Terra) e mais três missões solares.

A única perda definitiva, ao que parece, foi a missão de retorno de amostras de Marte. Ela já estava enrascada há tempos, com estouros orçamentários que exigiam readequação. A gestão Trump propôs o cancelamento sumário, e com isso o Congresso concordou. Restou no orçamento uma provisão de modestos US$ 110 milhões para “futuras missões marcianas”.

Com isso, o caminho está livre para que a China se torne o primeiro país no mundo a colher amostras de Marte e trazê-las de volta à Terra. Os chineses pretendem lançar a ambiciosa Tianwen-3 em 2028, e ter as amostras de volta em 2031. Sem concorrência à vista.

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Autor: Folha

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