O Salão do Automóvel de São Paulo, realizado em novembro, revelou alguns dos automóveis que serão lançados em 2026, a maioria de origem chinesa. Após o evento, outros modelos foram anunciados, com destaques para as marcas que atuam no Brasil há mais tempo.
Será uma disputa pesada em meio a um mercado que cresce pouco. Até novembro, foram emplacados 2,28 milhões de carros de passeio e comerciais leves no país, uma alta de apenas 1,82% sobre o mesmo período de 2024, segundo a Fenabrave (associação dos distribuidores).
Em busca de volume e de rentabilidade, as montadoras que fabricam carros e componentes no país investem nos segmentos de entrada. A GM vai lançar o compacto Chevrolet Sonic Cupê, que vai concorrer com Volkswagen Tera, Renault Kardian e Fiat Pulse na faixa de preço que começa em R$ 100 mil.
Embora tenha porte de hatch, o novo modelo será tratado como um SUV, da mesma forma que ocorre com seus rivais diretos. A apresentação deve ocorrer no primeiro trimestre de 2026, sempre com motorização 1.0 flex, seja com ou sem turbo.
Outro carro de alto volume que estreia em 2026 é o Fiat Panda. Será a principal novidade da marca no ano em que completará 50 anos de atuação no Brasil. Além de trazer o novo estilo da montadora italiana, esse compacto pode ter uma versão 100% elétrica para disputar mercado com os chineses.
A Jeep também entra na lista de candidatos a top 10 em vendas com o Avenger, SUV que compartilha plataforma com o Peugeot 2008. As empresas fazem parte do grupo Stellantis, bem como Fiat, Citroën e RAM.
O jipinho urbano será produzido em Porto Real (RJ), com lançamento previsto para o meio do ano. Espera-se que alcance o mesmo sucesso que tem feito no mercado europeu. No Brasil, seus preços sugeridos devem começar em R$ 120 mil.
A estratégia da Jeep inclui a chegada de versões híbridas dos SUVs Renegade, Compass e Commander. O braço americano do grupo Stellantis terá ainda a picape RAM Dakota, que divide plataforma com a Fiat Titano.
Na japonesa Toyota, a principal novidade estreia em fevereiro e já tem preço. Será o SUV compacto Yaris Cross, que vai custar a partir de R$ 161.390. A chegada foi atrasada pelo vendaval que, em setembro, destruiu sua fábrica de motores, em Porto Feliz (interior de São Paulo).
A marca terá ainda o GR Yaris no Brasil, hatch esportivo com tração integral e 300 cv de potência. As vendas terão início em abril, com valores que devem ficar acima de R$ 300 mil.
A Honda também aposta na esportividade para chamar a atenção em 2026. A nova geração do Prelude virá com a mesma motorização híbrida disponível no sedã médio Civic.
Com estreia prevista para o segundo semestre,o cupê tem potência combinada de 203 cv. Seu preço também deve se aproximar dos R$ 300 mil.
Na alemã Volkswagen, o primeiro lançamento confirmado para 2026 é o SUV médio Tiguan, que trará um novo desenho frontal e mais conectividade. Importado do México, o modelo deve ser novamente equipado com o motor 1.4 turbo flex de 150 cv.
Versões híbridas flex de diferentes carros da marca também chegarão às lojas no próximo ano, mas a empresa ainda não divulgou as datas de estreia.
A combinação de gasolina, etanol e eletricidade também estará presente entre as marcas chinesas, com destaque para a BYD.
A montadora vai lançar o Song Pro reestilizado com essa tecnologia. Uma unidade já foi exibida em Belém (PA) durante a COP30, mas a montagem em Camaçari (BA) com peças importadas da China só vai ganhar escala no próximo ano.
O grupo Caoa prepara novidades das marcas Changan e Chery. Enquanto a primeira estreia com os elétricos Avatr, a segunda vai iniciar as vendas do Tiggo 5X reestilizado.
Montado em Anápolis (GO) e com lançamento aguardado para o primeiro trimestre, o 5X manterá o motor 1.5 turbo flex (150 cv) nas versões mais em conta, que hoje partem de R$ 129.990. Haverá também uma nova opção híbrida, cujos dados técnicos ainda não foram revelados.
A onda chinesa segue com os novos carros já anunciados pelas marcas GWM, Geely, MG, Jetour, Omoda Jaecoo, GAC, Leapmotor e Zeekr. Juntas, trarão mais de 20 modelos ao Brasil, acirrando ainda mais a disputa em um mercado que cresce timidamente.




