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Consórcio MEZ-RZK vence leilão do Centro Administrativo de SP

O consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu, nesta quinta-feira (26), na sede da B3, o leilão do novo Centro Administrativo do governo de São Paulo. Formado por Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property, o grupo superou o consórcio Acciona-Construcap ao oferecer desconto de 9,62% sobre a contraprestação mensal máxima, acima dos 5% apresentados pelo concorrente.

O certame, que recebeu duas propostas, foi realizado em meio a protestos de movimentos de moradia, que criticam a remoção de cerca de 600 famílias e questionam a falta de clareza sobre os valores das indenizações e o destino dos residentes em áreas de interesse social. No entanto, uma pesquisa deste mês do Datafolha mostra que 64% dos paulistanos aprovam a mudança.

Manifestações de movimentos ligados à esquerda contrários a processos de privatização são recorrentes durante leilões realizados na B3. A tendência, no entanto, é de intensificação desses atos ao longo de 2026, em razão do calendário eleitoral. O protesto desta quinta-feira foi organizado pela Frente de Luta pela Moradia (FLM) e pela União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM-SP).

PPP prevê aporte estadual de R$ 3,4 bilhões

O resultado do leilão reduziu o valor mensal de R$ 76,6 milhões para cerca de R$ 69,2 milhões ao longo dos 30 anos de contrato. O governo estadual fará os pagamentos conforme o cumprimento de metas de desempenho.

A Parceria Público-Privada (PPP) prevê aporte de R$ 3,4 bilhões do estado, equivalente a metade do investimento total, para viabilizar a construção e a gestão do complexo nos Campos Elíseos, que vai concentrar secretarias e órgãos, hoje distribuídos em cerca de 40 endereços.

Antes de bater o martelo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a iniciativa como eixo de requalificação urbana e administrativa. “Está na hora de resgatar o centro da cidade. Vamos concentrar todas as estruturas do estado em um único endereço. Isso permite ganhar tempo, especialmente no deslocamento. As secretarias também poderão avançar com a venda de imóveis hoje pulverizados”, afirmou o governador.

Em discurso na B3, Tarcísio também citou o trabalho para o fim da Cracolândia e disse que seu legado terá como marca a revitalização do centro da capital. “Vamos devolver dignidade ao centro. O movimento e o comércio vão voltar. O centro de São Paulo não será mais degradado como encontramos no início da nossa gestão”, disse o governador.

Novo Centro Administrativo de São Paulo deve ganhar nome de escritora

Ao comentar o projeto, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), mostrou aprovação ao empreendimento e destacou os ganhos operacionais da centralização. “Imagine várias secretarias em um mesmo local. Isso vai gerar empregos e reduzir custos. Um único auditório, por exemplo, pode atender várias secretarias, que não precisam de uma estrutura assim individualmente. A concentração vai gerar economia”, afirmou.

No final do evento, Tarcísio propôs que o Centro Administrativo receba o nome da escritora Silvia Maria Dellivenneri Domingos, em homenagem ao secretário especial de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos, um dos principais defensores do projeto. Silvia, esposa de Afif, morreu em São Paulo, em 2024, aos 74 anos.

Ao explicar a motivação da proposta, Afif reforçou a diretriz de integração urbana. “O governo tem que estar onde o povo está. Ao contrário do que acontece hoje na Faria Lima, com prédios lindos, mas com grade na porta. Aqui não tem grade”, afirmou.

Tarcísio defende homenagem a esposa de Afif Domingos no novo Centro Administrativo de São Paulo.
Tarcísio defende homenagem a esposa de Afif Domingos no novo Centro Administrativo de São Paulo. (Foto: Pablo Jacob/Governo de SP)

Empreendimento vai ocupar quatro quadras no centro de São Paulo

A iniciativa transfere a sede do governo do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para o entorno da Praça Princesa Isabel. O governador Tarcísio de Freitas cumprirá uma de suas principais promessas de campanha com essa mudança, embora mantenha a residência oficial no Morumbi.

O consórcio vencedor assume a responsabilidade por desapropriações, manutenção e serviços de segurança e limpeza, além de deter o direito à exploração comercial de lojas, restaurantes e estacionamentos.

A estrutura física do novo centro ocupará quatro quadras entre a rua Conselheiro Nébias e a alameda Barão de Piracicaba. O complexo contará com sete edifícios e dez torres para abrigar 22 mil servidores, além de teatro, auditórios e salas multiuso. O plano inclui a restauração de 17 casarões tombados e do centenário Palácio dos Campos Elíseos, que funcionará como sala de visitas oficial conectada à nova sede por um túnel subterrâneo.

No plano urbanístico, o governo criará 25 mil metros quadrados de áreas comerciais, ampliará a área verde em 40% e transformará a praça Princesa Isabel em um boulevard com calçadas largas e áreas exclusivas para pedestres em ruas como Helvetia e Guaianases.

O projeto também contempla a construção de 6 mil moradias na região central, com 55% das unidades reservadas para a população de baixa renda. No setor de transportes, o Terminal Luz substituirá o Terminal Princesa Isabel, que será desativado. A expectativa oficial indica a geração de 38 mil empregos durante as obras, com entrega prevista para 2030.

Novo Centro Administrativo de São Paulo vai ocupar quatro quadras entre a Rua Conselheiro Nébias e a Alameda Barão de Piracicaba.Novo Centro Administrativo de São Paulo vai ocupar quatro quadras entre a Rua Conselheiro Nébias e a Alameda Barão de Piracicaba. (Foto: Projeção/Governo de São Paulo)

Leilão do novo Centro Administrativo de São Paulo divide opiniões e tem protestos

Além das manifestações registradas durante o leilão, o projeto do novo Centro Administrativo do governo de São Paulo segue sendo alvo de questionamentos de moradores e movimentos de moradia, que apontam riscos relacionados à remoção de famílias e à condução das indenizações em áreas de interesse social.

Pesquisadores do LabCidade, da Universidade de São Paulo (USP) apontam que o projeto transfere o território para o mercado imobiliário sem o diálogo adequado com a comunidade local.

De acordo com a pesquisa Datafolha, entre quem vive ou trabalha no centro, 83% acreditam na melhora da segurança e da limpeza urbana. Por outro lado, quase metade dos entrevistados manifesta receio quanto ao aumento do trânsito e dúvidas sobre o cumprimento do prazo final e os impactos sociais para os moradores mais vulneráveis da região.

Autor: Gazeta do Povo

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