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Cooperativismo cria gigantes do agronegócio brasileiro

Em 1970, Campo Mourão (PR) tinha cinco tratores e era conhecida como “terra dos 3S: sapé, samambaia e saúva”. Hoje, a Coamo — fundada ali por 79 produtores — tem R$ 13,3 bilhões de patrimônio e distribui R$ 716 milhões por ano aos cooperados. É um dos maiores exemplos de como o cooperativismo brasileiro transformou pequenos agricultores em gigantes do agronegócio global.

No Brasil, 1.172 cooperativas agropecuárias movimentam R$ 438,2 bilhões por ano e empregam 268 mil pessoas, conforme dados da versão mais recente do Anuário Brasileiro do Cooperativismo, da Organização das Cooperativas do Brasil (Sistema OCB). Elas controlam 53% da originação de grãos, produzem 80% da carne suína e colocam três nomes entre as maiores empresas do agro:

  • Copersucar: R$ 62,3 bilhões de receita
  • Coamo: R$ 28,7 bilhões
  • Aurora: R$ 24,9 bilhões

“Os dados do anuário evidenciam a força estrutural do cooperativismo agropecuário brasileiro: produtores que, ao se organizarem em rede, conseguem ganhar escala, agregar valor, acessar tecnologia e competir em mercados cada vez mais exigentes. Não por acaso, muitas dessas cooperativas se tornaram referências globais em segmentos como grãos, carnes e lácteos”, afirma a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.

Outro levantamento, da agência de marketing digital Macfor, aponta impacto decisivo do cooperativismo no agronegócio brasileiro. De acordo com a pesquisa, o setor responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, impulsionado pela atuação das cooperativas. Em 2025, o PIB do Brasil atingiu em 12,63 trilhões.

Cooperativas impulsionam o agro e dominam grãos, carnes e faturamento

Segundo o mais recente Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as cooperativas respondem por 53% da originação nacional de grãos e fibras. Além disso, sistemas cooperativos produzem cerca de 80% da carne suína brasileira.

Na elencagem de rankings, a Forbes Brasil mostra que as 100 maiores empresas e cooperativas do agronegócio faturaram R$ 1,886 trilhão em 2024. O resultado indica crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior.

O levantamento reúne cooperativas, grupos empresariais e companhias de capital aberto e fechado que sustentam as principais cadeias produtivas do país. A publicação anual utiliza indicadores financeiros, sobretudo a receita líquida, para dimensionar o peso estratégico do setor, e destaca as três cooperativas com maior faturamento no país.

Copersucar registra R$ 62,3 bilhões em receita na safra 24/25, cresce em açúcar e etanol e aposta no biometano para expansão futura.
Copersucar registra R$ 62,3 bilhões em receita na safra 24/25, cresce em açúcar e etanol e aposta no biometano para expansão. (Foto: Renato Stockler/Copersucar)

Maior cooperativa do agro foi fundada por produtores de cana-de-açúcar

Listada como a maior cooperativa do agro no Brasil na lista Forbes, a Copersucar surgiu em 1º de julho de 1959, no estado de São Paulo. Dez usinas de açúcar e duas cooperativas regionais, Coopira e Coopereste, criaram a então Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo.

Em 2008, a organização adotou o nome Copersucar S.A., mudança que buscou organizar, fortalecer e ampliar a comercialização de açúcar. Na safra 2024/2025, a cooperativa registrou receita líquida de R$ 62,3 bilhões, alta de 15,3%.

O lucro líquido alcançou R$ 402 milhões, avanço de 43%. O resultado refletiu o recorde de exportações de açúcar, o forte crescimento na distribuição de etanol, sobretudo no mercado norte-americano, e o desempenho da logística, que operou a plena capacidade.

Fundada em 1970 por 79 produtores, a Coamo Agroindustrial Cooperativa virou potência do agro, com 32,7 mil cooperados e R$ 13,376 bilhões em patrimônio em 2025.Fundada em 1970 por 79 produtores, a Coamo Agroindustrial Cooperativa virou potência do agro, com 32,7 mil cooperados e R$ 13,3 bilhões em patrimônio em 2025. (Foto: Roberto Dziura Jr./Governo do Paraná)

A Copersucar comercializou 15,6 milhões de toneladas de açúcar na safra. As exportações cresceram 21,4%. No etanol, a companhia comercializou 19,1 bilhões de litros. As vendas nos Estados Unidos avançaram 23,4%, impulsionadas pela entrada de novas destilarias parceiras, que passaram de 17 para 26.

O movimento garantiu 15% de participação no mercado doméstico norte-americano de etanol. “O objetivo é, num prazo de cerca de 10 anos, a Copersucar agregar a produção de 2 a 4 milhões de m³ de biometano por dia”, projeta o presidente da Copersucar, Tomás Manzano.

A empresa continua de olho em oportunidades com o biogás e biometano, segmento em que começou a estruturar uma comercializadora para capturar as oportunidades desse mercado emergente, conforme acrescenta o presidente da Copersucar.

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Coamo distribui R$ 716 milhões entre os cooperados em 2025

A Coamo Agroindustrial Cooperativa surgiu em 1970, através de um grupo de 79 produtores. Era o fim do ciclo da madeira na região de Campo Mourão, centro-oeste do Paraná. Segundo os fundadores da cooperativa, a região não contava com tecnologias agrícolas e contabilizava apenas cinco tratores na época.

O cenário agrícola registrava algumas lavouras manuais de arroz, milho e algodão, mas enfrentava um grande problema: as terras eram ácidas, impróprias para o plantio. A região era conhecida como a terra dos “ 3S – sapé, samambaia e saúva”. Com acesso às novas tecnologias, os agricultores começaram a produzir mais e a organizar as vendas.

Mais de 50 anos depois, a Coamo fechou o último ano com 32,7 mil cooperados e um patrimônio líquido de R$ 13,376 bilhões. O recebimento de produtos agrícolas dos cooperados foi de 8,024 milhões de toneladas. A alta do patrimônio líquido da Coamo atingiu 11,5% e encerrou o exercício com 10.521 funcionários efetivos.

“Além das sobras significativas distribuídas de R$ 716 milhões, devolvemos mais de R$ 26 milhões de capital social aos cooperados com 65 anos ou mais e que completaram 10 anos de permanência na Coamo, além de R$ 14,5 milhões em ICMS. Com um grande trabalho e participação dos cooperados o montante dos benefícios somam mais de R$ 823 milhões”, elenca o presidente do conselho de administração da Coamo, José Aroldo Gallassini.

Fundada no oeste de SC, cooperativa projeta abater 40 mil suínos por dia

Fundada em 1969 por 18 representantes de oito cooperativas, a Aurora Coop nasceu em Chapecó, no oeste catarinense, com o objetivo de melhorar a renda e a qualidade de vida de pequenos produtores rurais. A cooperativa integra 14 cooperativas agropecuárias, 87 mil famílias no campo e 50,4 mil colaboradores nas fábricas e unidades comerciais, logísticas e administrativas.

A operação processa diariamente 1,4 milhão de aves e 1,6 milhão de litros de leite e com investimentos projetados para 2026, deve abater 40 mil suínos por dia. Em 2024, a cooperativa registrou receita operacional bruta de R$ 24,9 bilhões, alta de 14,2%. A receita líquida somou R$ 22,8 bilhões, avanço de 13,5%. O lucro líquido alcançou R$ 880,5 milhões, salto de 738,6% após o prejuízo de 2023.

O presidente da empresa, Neivor Canton, evidencia que a marca alcança 77% de penetração nos lares brasileiros e figura como a 10ª mais consumida do país, conforme o ranking Kantar Brand Footprint Brasil. No mercado externo, a receita cresceu 23,7% e chegou a R$ 9,1 bilhões. O mercado interno respondeu por R$ 15,7 bilhões, o equivalente a 63,6% do faturamento.

“Podemos afirmar que a Aurora Coop se tornou o maior paradigma brasileiro de intercooperação, pois aqui laboram mais de 150 mil famílias para fornecer alimentos de excelência ao Brasil e a mais de 80 países, com um portfólio de mais de 850 produtos”, afirma Canton.

Autor: Gazeta do Povo

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