Os Correios planejam levantar até R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis próprios a partir de fevereiro, por meio de leilões digitais que fazem parte do plano de reestruturação da estatal divulgado no fim de 2025. A medida busca enxugar custos, reduzir despesas com manutenção e gerar caixa para modernização e reequilíbrio financeiro.
A venda dos imóveis foi confirmada nesta sexta (23), pela estatal, e deve ajudar a reduzir o prejuízo recorde que somou R$ 6 bilhões apenas até o terceiro trimestre do ano passado. Nesta primeira fase, 21 imóveis serão leiloados de forma imediata, enquanto outros bens ainda passam por etapas técnicas de preparação para alienação.
“Todo o processo segue critérios técnicos rigorosos, tendo como premissa inegociável a garantia do atendimento aos clientes e parceiros, bem como a manutenção da universalização dos serviços postais em todas as regiões do país”, afirmou a estatal à Gazeta do Povo.
VEJA TAMBÉM:
-
Estatais federais acumulam déficit de R$ 6,3 bilhões até novembro, aponta BC
De acordo com os primeiros detalhes divulgados à reportagem, os leilões serão conduzidos virtualmente por uma empresa do Maranhão e compreendem prédios que já abrigaram agências e complexos operacionais, além de imóveis administrativos, terrenos, pontos comerciais, galpões, lojas e apartamentos funcionais. Parte dessas estruturas foi desativada após a realocação de operações para novos endereços, o que tornou esses ativos excedentes.
A primeira etapa dos leilões está marcada para os dias 12 e 26 de fevereiro, com imóveis distribuídos nos estados da Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. Os lances iniciais variam de R$ 14 mil a R$ 190 milhões.
“Trata-se de um projeto de grande porte, com recorrência mensal, que amplia significativamente as oportunidades para investidores e reforça nosso posicionamento como uma das principais referências do setor no Brasil”, afirma Vicente de Paulo, leiloeiro oficial da Vip Leilões, autorizada pela estatal para tocar o processo.
Segundo a empresa, a quantidade de imóveis já disponível para alienação supera 60 unidades, número que tende a crescer conforme novos ativos forem liberados. A companhia pontua que os pagamentos serão à vista, com isenção de reajustes no saldo devedor para quem quitar o valor integral em até 30 dias.
O edital também permite lances condicionais, mecanismo que mantém a negociação aberta mesmo quando a proposta fica abaixo da avaliação inicial. Nesses casos, a oferta pode ser aprovada rapidamente pelo leiloeiro ou submetida aos Correios, evitando que negócios sejam descartados por pequenas diferenças de preço.
O prejuízo apurado pelos Correios entre janeiro e setembro do ano passado é quase o triplo do registrado no mesmo período de 2024, quando alcançou R$ 2,1 bilhões. A estatal afirmou que o resultado negativo é uma consequência da queda acentuada na receita, impulsionada por serviços internacionais, e um disparo nas despesas operacionais e financeiras, especialmente aquelas relacionadas a passivos judiciais e encargos da dívida.
Naquele mês, a estatal aprovou um plano de recuperação que inclui a estabilização das receitas e despesas, reorganização e modernização da operação e ampliação da competitividade no mercado logístico a partir de 2027.
Autor: Gazeta do Povo







