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Curitiba amplia áreas verdes e eletrifica o transporte

O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) está trabalhando na revisão do plano diretor de Curitiba, que deve ser aprovado no fim deste ano. Desde sua criação, ainda na década de 1960, o plano tem como objetivo promover uma cidade mais inclusiva, segura, resiliente, próspera, inovadora e sustentável, proporcionando melhor qualidade de vida à população.

Ser uma cidade resiliente, passa por adaptar-se a inovações tecnológicas, a promover uma estrutura para receber migrantes, a garantir geração de renda e justiça social e, claro, lidar com as mudanças climáticas. Neste último quesito, Curitiba já atua há décadas na criação de políticas ambientais e é considerada uma referência no conceito de “cidade-esponja”. O plano diretor de 1966, por exemplo, já definia um ordenamento sobre a criação de áreas verdes por parte do poder público.

Essa medida não era apenas para o lazer da população. Anos mais tarde, também se tornou um método para contenção de cheias, como no caso da criação do Parque Barigui, que segue até hoje mantendo esse propósito. Além do Barigui, os parques São Lourenço (criado na mesma época), Bacacheri, Tingui e Atuba têm a mesma função. Além dos parques alagáveis, Curitiba também criou os parques lineares que ficam ao lado de rios e ajudam a preservar as faixas de drenagem destes rios, prevenir as enchentes e evitar ocupações irregulares.

“Mas por muito tempo também nós demos as costas para os rios e agora temos sido cobrados com os alagamentos”, pontua Thomaz Ramalho, diretor de planejamento do Ippuc e coordenador geral da revisão do plano diretor de Curitiba. “Os alagamentos não são casuísticos. Agora as chuvas são choques climáticos e que vêm com muito mais intensidade. Só que a gente fez alguns canais olhando para o passado e não para o futuro. Então estamos olhando também para isso na revisão do plano”, explica Ramalho. De acordo com ele, todas as ferramentas para a busca de melhorias no cuidado com os rios e outras áreas ambientais da cidade estão sendo utilizadas, incluindo o uso de inteligência artificial.

Novos parques “alagáveis”, bacias de contenção e arborização

Curitiba conta desde 2020 com o PlanClima, que é o Plano de Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas de Curitiba. É um documento que reúne diretrizes, metas e ações, com o objetivo de consolidar uma política climática, que seja transformadora e inclusiva por uma cidade neutra em emissões e resiliente ao clima, até 2050.

De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente (SMMA), entre as ações previstas estão iniciativas relacionadas à mobilidade sustentável, ampliação de áreas verdes, eficiência energética, gestão de resíduos, infraestrutura urbana resiliente e educação ambiental. A expertise na criação de parques para contenção de cheias, se mantém.

A Prefeitura de Curitiba está construindo três novos parques na cidade e duas grandes bacias de contenção de águas das chuvas para evitar riscos de alagamentos na região Norte da cidade, na divisa com as cidades de Colombo e Pinhais. No fim de março, foi entregue, no bairro Campo Comprido, a bacia de detenção do Rio Mossunguê, para o controle de cheias e proteção ambiental na região.

Os 53 parques de Curitiba, somados aos bosques, resultam em uma área verde de 68m² por habitante, de acordo com a SMMA. Em janeiro de 2000, a lei municipal 9.804 foi criada para proteger as áreas verdes do crescimento urbano da cidade, já mantendo o histórico da capital paranaense de ter um olhar apurado para as questões ambientais.

Essa proteção às áreas verdes consta entre as metas do PlanClima para deixar a cidade mais protegida diante da emergência climática. E buscando equalizar o avanço do desenvolvimento estrutural necessário para a cidade e a arborização que é tão necessária quanto, desde o início de 2025 a prefeitura trabalha com o programa Meio Milhão de Árvores com objetivo de plantar 500 mil novas árvores em quatro anos.

Eletrificação do transporte coletivo

No que diz respeito à mobilidade sustentável, a nova concessão do transporte coletivo tem prevista a incorporação de 245 ônibus elétricos nos primeiros cinco anos do novo contrato. “Com a nova concessão, Curitiba reforça o compromisso com a redução das emissões, melhoria da qualidade do ar e do transporte público”, explica Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), órgão responsável pelo transporte coletivo da capital paranaense.

Além da frota elétrica, a frota a diesel será renovada com cerca de 1,2 mil ônibus a entrarem em circulação ao longo da concessão. Todos serão da categoria Euro 6, a menos poluente a diesel no mundo, de acordo com a Urbs. Os novos ônibus permitirão um aumento de 3,5% da frota de ônibus do transporte coletivo e de 5,4% na quantidade de lugares ofertados.

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Autor: Gazeta do Povo

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