Segundo editorial publicado na última terça-feira (3), no jornal Folha de S.Paulo, “Não saber matemática atrasa o Brasil. Pesquisa mostra que 8 em cada 10 alunos formados no ensino médio não têm conhecimento básico da disciplina”.
Verdade. Embasado em pesquisa da Fundação Itaú, de 2024, o editorial aponta existir uma relação entre o baixo crescimento econômico do Brasil e o nível precário de aprendizagem dos alunos deste país, em especial na disciplina de matemática.
Talvez seja possível contribuir para mudar tal cenário oferecendo gratuitamente arte, cultura, cidadania e desenvolvimento humano, através de um programa de educação musical destinado a crianças e adolescentes: o projeto Guri.
A partir da próxima segunda-feira (9), estarão abertas as matrículas do Guri 2026, no estado de São Paulo. Ao todo, são mais de 120 mil vagas para os cursos gratuitos de música, distribuídas nos 634 polos de ensino espalhados pela capital, região metropolitana, interior e litoral do estado.
Esta é uma excelente oportunidade para quem quer aprender a cantar ou tocar um instrumento. O programa não exige conhecimento musical prévio e nem ter um instrumento em casa. No Guri, alunos têm todo o suporte em sala de aula e não pagam nada para se matricular, nem para estudar.
Para realizar a matrícula é necessário comparecer ao polo de ensino do Guri que o jovem escolheu estudar, na companhia de um responsável, e apresentar a certidão de nascimento ou RG (original e cópia) do aluno; um comprovante de matrícula escolar ou declaração de frequência escolar; e uma foto 3×4 recente. O responsável também deve apresentar o RG (original e cópia) e um comprovante de endereço do aluno.
Podem participar crianças a partir dos 6 anos de idade. São cursos regulares de iniciação musical (de 6 a 9 anos) e curso sequencial (10 a 18 anos), que ensinam a cantar ou a tocar um instrumento de forma fundamentada e consistente. São diversas disciplinas musicais oferecidas, e as opções variam de acordo com cada polo de ensino. Em instrumentos, há cursos de violão, bateria, guitarra, contrabaixo elétrico, acordeão, cavaquinho, bandolim, viola caipira, violão de 7 cordas e muito mais, como piano, teclado e percussão. Há também cursos dos instrumentos que compõem uma orquestra, como violino, viola, violoncelo, contrabaixo acústico, flauta doce, flauta transversal, clarinete, saxofone, oboé, fagote, trompete, trompa, trombone, tuba, eufônio, percussão e por aí vai. A lista é extensa. Além das tradicionais aulas de instrumento, o Guri também oferece aulas de canto coral e teoria musical, além da organização das práticas de conjunto de acordo com cada tipo de instrumento. Para mais informações, acesse o site oficial em https://souguri.art.br/.
Mas qual a correlação entre a educação musical dos jovens e um melhor futuro para o Brasil? Aprender música, gratuitamente, durante a juventude é um investimento na formação do indivíduo, pois ao democratizar o acesso rompem-se barreiras sociais, permitindo que talentos floresçam independentemente da condição financeira da qual se faz parte. Além disso, a música exercita o cérebro. O cérebro possui maior plasticidade na juventude, facilitando novas conexões neurais através do aprendizado musical. O estudo de ritmos e partituras fortalece não só o raciocínio lógico como também auxilia no desempenho em disciplinas como matemática. Entre outras benesses, o estudo musical gratuito oferece uma alternativa construtiva, que muitas vezes afasta jovens de contextos de vulnerabilidade, assegurando o direito do pleno desenvolvimento da sensibilidade, inteligência e cidadania.
A música e a matemática são, em essência, linguagens diferentes que descrevem os mesmos fenômenos de ordem, padrão e proporção. Por exemplo, na partitura, o ritmo é aritmética e frações, isso exige do músico a realização de cálculos mentais instantâneos para manter o tempo preciso dentro de um compasso. Sem mencionar que foi o filósofo e matemático da antiguidade grega Pitágoras quem descobriu que os intervalos musicais agradáveis ao ouvido correspondem a razões matemáticas simples entre números inteiros.
E aí, vamos matricular os guris?
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Autor: Folha















