
A proposta de extinguir a jornada 6×1 gera alerta no agronegócio brasileiro. Diferente de outros setores, o campo depende de ciclos biológicos e operações contínuas, o que projeta um aumento bilionário nos custos de produção e repasse direto aos preços para o consumidor final.
Como a mudança na escala de trabalho afeta diretamente o agronegócio?
O campo lida com seres vivos e máquinas que não podem parar. Vacas precisam de ordenha diária e colheitas dependem de janelas climáticas curtas. Sem a escala 6×1, produtores teriam que contratar muito mais funcionários (os ‘folguistas’) para cobrir os dois dias de descanso obrigatórios, elevando o custo da folha de pagamento sem que a produção aumente na mesma proporção.
Qual é o impacto financeiro esperado para o setor?
Estimativas apontam prejuízos bilionários. Na produção de etanol, o custo subiria até R$ 5 bilhões. Já nos setores de aves e suínos, o impacto pode chegar a R$ 9 bilhões. O Paraná, líder em carne de frango, estima um gasto extra de R$ 4,1 bilhões por ano, exigindo a contratação de 107 mil novos trabalhadores apenas para manter o ritmo atual de produção.
Por que o setor rural é mais vulnerável que o comércio ou a tecnologia?
Em empresas de tecnologia ou escritórios, é possível ganhar eficiência com processos digitais ou melhor gestão do tempo. No campo, a ‘elasticidade’ é menor: não dá para acelerar o crescimento de uma planta ou a fisiologia de um animal para compensar menos horas de trabalho humano. Isso torna o setor rural muito mais dependente da presença física constante.
O consumidor final sentirá o reflexo dessa proposta?
Sim. Com o aumento expressivo nos custos de produção, parte dessa conta será inevitavelmente repassada. Projeções em estados como Mato Grosso indicam que produtos no varejo podem ficar até 24% mais caros. Além da inflação de alimentos, especialistas alertam para o risco de fechamento de pequenas propriedades e o aumento da informalidade no mercado de trabalho.
Qual a posição das entidades representativas sobre o tema?
Mais de 100 entidades do setor assinaram um manifesto contra a aprovação imediata da PEC. Elas argumentam que reduções de jornada em outros países foram fruto de processos históricos baseados no aumento da produtividade. Sem esse equilíbrio, a mudança forçada por lei pode causar perda de renda per capita, redução de salários e queda na competitividade das exportações brasileiras.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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