sábado, dezembro 27, 2025

CVM será acionada sobre ‘vaquinha’ irregular na Sanepar – 25/12/2025 – Painel S.A.

Os deputados estaduais do Paraná Requião Filho e Arilson Chiorato se preparam para acionar a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para pedir investigação sobre um possível esquema de “vaquinha” irregular envolvendo funcionários comissionados (com indicação política) da Sanepar.

Áudios divulgados pelo jornalista Guga Noblat no Twitter mostram telefonema entre o ex-gerente da Sanepar Rafael Malaguido e Jaime Antônio de Camargo Ferreira, que foi assessor do atual secretário de Cidades do estado, Guto Silva, com pedido de arrecadação de dinheiro entre funcionários da estatal para cobrir dívida de R$ 4 milhões referente à última campanha eleitoral do governador do Paraná, Ratinho Jr..

Em um dos áudios, Malaguido diz que afirmou a um terceiro que “teu chefe sou eu, o Rafael, e é o Guto [sinalizando indicação politica] (…), nem o Claudio Stabile é teu chefe”. Stabile foi CEO da Sanepar de 2019 a 2024, e atualmente é presidente da agência de fomento do Paraná.

Além de prepararem denúncia junto à CVM, os parlamentares já enviaram ofício para a Superintendência Regional da Polícia Federal do Paraná pedindo abertura de inquérito para apurar atos ilegais, como a prática de crimes eleitorais, com posterior instrução para abertura de procedimento perante o Ministério Público.

Consultada, a Sanepar disse em nota que os áudios em questão são de 2021 e que já foram objeto de uma operação realizada pelo Ministério Público do estado, que contou com a colaboração da estatal, inclusive com documentos internos. “Os envolvidos foram demitidos por justa causa e respondem a processos conduzidos pelo Poder Judiciário.”

O governo de Ratinho Jr. disse que a denúncia é antiga e foi ressuscitada pelo PT do Paraná. “Trata-se, portanto, de pauta velha, sem fato novo.”

Questionado sobre o fato de o atual secretário Guto Silva ter sido citado nos áudios, o governo, por meio de sua assessoria, não respondeu. Disse apenas esperar que a reportagem não tome os áudios como fato antes de ouvir o Judiciário.

A reportagem pediu à assessoria do governo de Ratinho Jr. acesso ao processo no Ministério Público que a Sanepar mencionou, mas não obteve resposta. Consultado, o MPE não se manifestou até a publicação da reportagem.

O deputado Requião Filho, que é do PDT, disse à reportagem que, se confirmadas, as denúncias podem configurar crimes de concussão, peculato e corrupção passiva.

“Diante da gravidade, estamos cobrando respostas concretas e atuação imediata da Casa Civil e de órgãos de fiscalização. Também devem ser acionados o Tribunal de Contas (TCE-PR), o Ministério Público Federal (MPF) e a Agepar [Agência Reguladora do Paraná]”, disse o deputado.

“São estarrecedoras as denúncias de corrupção e Caixa 2 envolvendo a Sanepar e o governo do Estado. Nós queremos chegar ao fundo desse escândalo. Queremos saber o que diz o Ministério Público, o que diz a Polícia Federal, o que diz a Justiça Eleitoral”, completou.

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