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Daqui para a frente, Olimpíadas não serão mais as mesmas – 13/02/2026 – Marina Izidro

“As Olimpíadas de Inverno mais espalhadas da história.” A frase tem sido repetida inúmeras vezes para descrever esta edição na Itália. O motivo para isso? Não é só questão de economia. A estratégia faz parte da própria sobrevivência dos Jogos Olímpicos.

Oficialmente, os Jogos realizados entre 6 e 22 de fevereiro são chamados de Milão-Cortina, as duas principais sedes. Mas eles também estão sendo disputados em outras cinco regiões do território italiano, cobrindo 22 mil km².

O plano dos organizadores foi usar a infraestrutura esportiva existente o máximo possível. Isso possibilita que diferentes regiões da Itália se beneficiem de investimentos e turismo trazidos pelos Jogos; faz com que esportes sejam sediados em locais já tradicionais de suas modalidades; vai de acordo com o objetivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) de diminuir custos para países-sede e o número de arenas sem uso depois que o evento terminar.

Ao mesmo tempo, vira um desafio de logística para todos os envolvidos, de espectadores a jornalistas. Ir de uma região para outra em estradas sinuosas e de mão única nas montanhas requer tempo e deixa a viagem mais cara para turistas que querem assistir a diferentes competições. Dessa forma, os Jogos também ficam sem um grande centro pulsante e a atmosfera acaba sendo um pouco diferente.

Organizadores dizem que este é o único modelo que pode funcionar em futuros Jogos Olímpicos de Inverno. E, cada vez mais, não parece ser uma escolha.

A próxima edição, nos Alpes da França, em 2030, será parecida. Haverá várias cidades-sede, e instalações esportivas usadas dos Jogos de Inverno de Albertville, em 1992, serão reaproveitadas.

O custo de sediar os Jogos é um tema delicado, especialmente em países ricos europeus, cuja população prefere ver o dinheiro investido internamente, para seu benefício direto.

Além disso, tem uma outra questão que nenhum organizador consegue controlar: o aquecimento global.

Cortina d’Ampezzo, uma das sedes aqui na Itália, também recebeu os Jogos de Inverno em 1956. Nos 70 anos que se passaram, a temperatura na região no mês de fevereiro por lá subiu 3,6°C.

Um planeta mais quente requer mais produção de neve artificial para as competições. Para estes Jogos, serão fabricados cerca de 2,4 milhões de metros cúbicos, usando água suficiente para encher 380 piscinas olímpicas, o que gera um grande impacto ambiental.

Temperaturas mais altas e menos neve também significa que, no futuro, apenas alguns países terão condição de sediar Jogos de Inverno. Já não está fora dos planos adiantar em um mês os Jogos Olímpicos, de fevereiro para janeiro. Os Jogos Paralímpicos, que desta vez serão entre 6 e 15 de março, poderiam ser antecipados para fevereiro no futuro. Outro ponto de debate é a possibilidade de criar um grupo de países fixos que se revezariam para sediar as Olimpíadas.

Ao fim dos Jogos de Milão-Cortina, veremos o que funcionou ou não nesse grande quebra-cabeça de logística e o que pode servir de lição para futuras sedes. E isso certamente vai influenciar as próximas candidaturas olímpicas.

A colunista está em Milão como repórter da organização responsável pela transmissão oficial dos Jogos Olímpicos

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Autor: Folha

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