Uma das principais razões de o Flamengo e muitos clubes brasileiros trocarem tanto de treinadores, influenciados por torcedores, analistas e redes sociais, é a ilusão de que são os técnicos que decidem as partidas com seus acertos e erros. Os resultados e mesmo os desempenhos dependem de inúmeros outros fatores previsíveis e imprevisíveis. Os treinadores são muito importantes, mas nem tanto. O jogo de futebol é um sopro de incertezas.
Os dirigentes do Flamengo, soberbos, gananciosos e iludidos, acham que o time, por causa do ótimo elenco, deveria ganhar tudo e, quando não vence, é porque o técnico não é capaz.
Leonardo Jardim terá o mesmo problema de Filipe Luís, o de fazer com que Arrascaeta e Paquetá joguem em altíssimo nível, embora as posições ideais dos dois sejam a mesma, a de meia centralizado e avançado. Paquetá já atuou bem em várias funções, porém, para brilhar intensamente, os jogadores precisam encontrar o seu melhor lugar em campo.
Recentemente, quase todos os grandes times brasileiros trocaram de treinadores. É a mesma ilusão. Flamengo e Atlético-MG decidem os estaduais com novos treinadores. O jogo no Mineirão entre Atlético e Cruzeiro terá a volta da torcida dividida, o que é muito bom.
Acostumamo-nos com muitas coisas que precisam acabar no futebol. Uma delas é a torcida única. O mesmo ocorre no país. Normalizamos a violência, a criminalidade, os desastres climáticos, a corrupção disseminada e, de repente, levamos um susto com a gravidade das coisas. Estamos perdidos, sem rumo.
A seleção brasileira tem sete titulares: o goleiro Alisson, os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães, os meio-campistas Casemiro e Bruno Guimarães e os atacantes Raphinha e Vinicius Junior. Rodrygo, fora do mundial por causa de uma contusão, não estava certo entre os titulares, mas, com certeza, entre os convocados para a Copa do Mundo.
Ancelotti tem repetido a mesma formação tática com dois meio-campistas, um meia centralizado e avançado, dois pontas que voltam para marcar e um atacante adiantado pelo meio (Vinicius Junior). Ele tem outras opções, como a de ter uma linha de quatro no meio-campo e uma dupla de ataque pelo centro com Vini e um centroavante.
Está tudo pensado. Como diria Garrincha, falta Ancelotti conversar com os adversários. Em 1958, antes da partida contra a Rússia, Garrincha, após terminar a preleção de Feola, perguntou ao treinador: “já conversou com os russos?”.
Donos do mundo
O Brasil, bicampeão do mundo em 1958 e 1962, foi eliminado na primeira fase da Copa de 1966. Dizem sempre que a culpa foi a falta de planejamento e da transição de gerações, pois os principais jogadores do mundial de 1962 estavam decadentes, com exceção de Pelé. Não foi só isso.
A seleção perdeu para Portugal e Hungria, que eram muito fortes. Em 1966, apenas 16 seleções disputavam o Mundial e era comum ter três grandes seleções em um mesmo grupo para duas vagas. No Mundial deste ano, serão 48 seleções, uma ganância financeira e uma mania de grandeza dos poderosos. Os presidentes da Fifa e do Flamengo fariam uma boa dupla, comandados por Trump. Querem ser os donos do futebol e do mundo.
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Autor: Folha




















