São algumas as estrelas de primeira grandeza contidas no distrito da Consolação. Não apenas os bairros de Higienópolis e Pacaembu, objetos de desejo de tantos paulistanos, mas outras vias que integram até mesmo o cancioneiro popular brasileiro – Angélica, Consolação e sobretudo Augusta que o digam.
Lançamentos de apartamentos novos na região se concentram nas faixas de médio e mais alto poder aquisitivo. Nos últimos 12 meses até setembro, segundo o Secovi, mais de dois terços dos lançamentos tiveram preços entre R$ 350 mil e R$ 700 mil. Abaixo disso, apenas 9%.
Entre os usados, o índice de valorização chega a 5,4% quando a comparação é entre os anos de 2025 e 2023. Em relação a 2024, há desvalorização de 30,1%, em linha com a diminuição da área média dos imóveis comercializados, de 27,8%. Os dados, da startup imobiliária Loft, baseiam-se nos pagamentos de ITBI e contemplam sempre os períodos de janeiro a setembro.
Não é fácil construir em terrenos no distrito, especialmente em Higienópolis, bastante verticalizada nos anos 1940 e 1950, quando foi campo de provas do que se tornaria a melhor arquitetura residencial paulistana, e talvez brasileira, do século 20.
Aqui estão alguns dos prédios de maior distinção da cidade, como o Louveira, de Vilanova Artigas; o Bretagne e o Cinderela, de Artacho Jurado; o Lausanne, de Franz Heep; e o Prudência, de Rino Levi, entre outros.
Apesar da idade dos empreendimentos, das taxas de condomínio elevadas e do lazer inexistente, esses edifícios ganham valor de autoria, como obras de arte. Um apartamento de 110 m² de área útil no Cinderela, por exemplo, sai por volta de R$ 2 milhões.
Mesmo assim, a uma quadra da Consolação e do campus do Mackenzie, a SKR, a construtora Paulo Mauro e a Portofino Multifamily Office encontraram espaço para erguer o Praça Higienópolis, projeto que terá duas torres, uma para estúdios e a outra para apartamentos de até 212 m². Encontrar espaço é modo de dizer: a área foi criada com a demolição de casas, de uma agência bancária e também de um prédio de nove andares, como disse Rodrigo Putinato, COO da SKR, à Folha.
Além das sete lojas da fachada ativa, integrará o projeto uma praça a comunicar as ruas Itambé, Sergipe e Dona Antônia de Queirós, que deverá ser de uso público. “Chamamos o que fazemos aqui de arquitetura viva, porque tentamos dar vida também ao entorno dos nossos empreendimentos”, diz Putinato. O Praça é assinado pelo francês Greg Bousquet, um entusiasta da arquitetura biofílica e do uso de espécies nativas inclusive na arborização pública.
Focada em projetos do Minha Casa, Minha Vida no Centro, a Magik JC também ergue um edifício na região, na notável rua Itacolomi. Trata-se de uma exceção no portfólio da incorporadora, e André Czitrom, CEO da Magik, explica que a decisão de compra do terreno veio no começo da pandemia, como uma espécie de seguro. “Era uma época de custos crescentes na construção civil e temíamos ser pegos de surpresa, então decidimos nos proteger e alocar em tijolo, como se diz.”
O terreno, antes ocupado por uma escolinha, tinha além de tudo um componente sentimental, pois ficava ao lado do edifício em que a família Czitrom, que emigrou da Romênia, chegou a morar. Quando ficar pronto, o ITA 173 terá 42 unidades, entre estúdios e apartamentos, com valores partinda da casa de R$ 600 mil.




