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Documentário Detox de Plástico acompanha casais infertéis – 21/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

No documentário “Detox de Plástico”, lançado pela Netflix, seis casais com problemas de fertilidade sem causa aparente tentam eliminar o plástico da rotina na esperança de aumentar as chances de engravidar. Eles jogam no lixo aromatizadores de ambiente e tábuas de corte e adotam escovas de bambu e desodorantes em embalagem de papelão.

“A gente vai engravidar por causa disso?”, pergunta uma das participantes. “Não faço a menor ideia.”

A guia dessa jornada é Shanna Swan, epidemiologista de 89 anos que passou boa parte da carreira estudando os efeitos de substâncias químicas ambientais na saúde reprodutiva. Professora de medicina ambiental na Escola de Medicina Icahn, do Hospital Mount Sinai (Nova York), Swan mapeia as fontes de plástico no cotidiano dos casais e sugere alternativas. Ao longo de três meses de “intervenção”, ela mede a concentração de substâncias na urina e a contagem de espermatozoides dos participantes.

A premissa é sedutora: corte o plástico da sua vida e melhore sua fertilidade. Mas a realidade é mais complexa. “Isso não é um estudo científico”, reconhece a própria Swan no filme. “Não temos grupo de controle, a amostra é muito pequena.” Também não está claro se reduzir a exposição diária a essas substâncias é suficiente para aumentar a fertilidade de um adulto.

Plástico e saúde: o que preocupa de verdade

Para entender os riscos, é preciso distinguir dois tipos de ameaça. Microplásticos são fragmentos minúsculos liberados pelo desgaste de materiais maiores —sacolas plásticas descartáveis ou roupas de tecido sintético, por exemplo. Já os plastificantes são substâncias químicas, como bisfenol e ftalato, adicionadas a produtos como brinquedos de borracha para deixá-los rígidos ou flexíveis.

Quando se fala em saúde reprodutiva, os plastificantes são a maior preocupação. Isso porque bisfenóis (incluindo o BPA) e ftalatos pertencem a uma classe de compostos chamados disruptores endócrinos, ou seja, interferem no funcionamento dos hormônios.

Uma grande quantidade de evidências associa esses disruptores a problemas de saúde variados: além da infertilidade, doenças cardiovasculares e transtornos do neurodesenvolvimento, como o TDAH. Um estudo de 2015 com quase mil gestantes sugeriu que a exposição a ftalatos durante a gravidez pode interferir no desenvolvimento reprodutivo de bebês do sexo masculino.

“Mesmo doses muito baixas durante períodos críticos do desenvolvimento podem ter efeitos permanentes”, diz Andrea Gore, professora de farmacologia e toxicologia da Universidade do Texas em Austin.

Já os microplásticos são um território mais incerto. Alguns estudos os associam à demência e a doenças do coração, outros sugerem impacto na reprodução, mas as evidências ainda estão muito aquém das que existem sobre ftalatos e bisfenóis.

Como reduzir a exposição ao plástico no dia a dia

Eliminar o plástico completamente é praticamente impossível. Ele está em cafeteiras, roupas, sofás e nos materiais de construção das nossas casas. Mas algumas mudanças ajudam a reduzir a exposição:

  • Prefira alimentos frescos para diminuir o contato com embalagens com ftalatos;
  • Aqueça comida em recipientes de vidro ou cerâmica, nunca em plástico;
  • Evite água engarrafada;
  • Evite produtos de higiene e limpeza que listem “fragrância” ou “parfum” no rótulo —isso pode indicar presença de ftalatos;
  • Fique atento a fontes menos óbvias, como o revestimento interno de latas de alimentos e os cupons fiscais em papel

Ainda assim, especialistas ressaltam que mudanças individuais têm limite.

Reduzir a exposição em escala vai exigir políticas públicas —assim como aconteceu quando se descobriu os malefícios do chumbo e ele foi retirado da gasolina e das tintas. “Não existe solução rápida”, diz Matthew Campen, professor de ciências farmacêuticas da Universidade do Novo México.

No documentário, três casais tiveram filhos. Mas estabelecer uma relação de causa e efeito é impossível diante de uma amostra tão pequena e sem grupo de controle. Swan conta que já planeja solicitar financiamento para um ensaio clínico randomizado e mais amplo, na esperança de ter respostas mais definitivas.

Autor: Folha

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