O ano de 2025 foi o terceiro mais quente, após 2024 e 2023. A concentração do gás do efeito estufa CO2 subiu para 426 partes por milhão (ppm), 52% acima da era pré-industrial. O aquecimento global excedeu por três anos seguidos o limiar prudente de 1,5ºC ditado pelo Acordo de Paris (2015).
Todos sentem impactos da crise climática, como o calor, os blecautes e as inundações deste verão infernal por aqui. Tornados já foram matéria exclusiva de filmes de Hollywood e notícias do interior dos EUA, e hoje dezenas assolam o Sul do Brasil.
Donald Trump mandou sequestrar o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Quer comprar a Groenlândia e, se não der, tomá-la à força. Promete punição militar à teocracia do Irã para conter massacres de manifestantes. Só a velhinha de Taubaté acredita que Trump age para libertar venezuelanos e iranianos da opressão.
O fator comum ao que vai acima é o petróleo, ou combustíveis fósseis, incluindo carvão e gás no rol. Queimados para produzir energia, liberam o carbono (CO2) que atua como vidros de uma casa de vegetação e retém calor do Sol na atmosfera.
A energia adicional turbina eventos extremos que castigam populações pelo mundo, em especial as pobres. Mesmo sofrendo consequências diretas, as pessoas não ligam os pontos e seguem elegendo (ou enfrentando em explosões pontuais) autocratas como Trump, Maduro, Putin, Khamenei, Xi e Bolsonaro.
O exemplo cabuloso vem dos EUA. Trump saiu de vez do Acordo de Paris e da Convenção da ONU sobre Mudança Climática. Autorizou poços de petróleo no Alasca e em alto-mar. Quer manter ativas termelétricas a carvão, mesmo as que precisam ser fechadas. Emissões de carbono lá crescem mais que a economia.
Análise das ONGs Zero Carbon Analytics e 350.org indica que 68% da produção e 81% das reservas de petróleo recaem na esfera de influência dos EUA, um terço na Venezuela (17,5%) e na Arábia Saudita (17,2%). Fora da pretendida tutela trumpista, só a Rússia conta (6,2% das jazidas de óleo e 19,9% de gás natural).
Trump tem também razões domésticas para investir em petropopulismo. Sua avaliação despencou, com 56% de desaprovação, e no epicentro do terremoto se encontra a inflação de 2,7%, que tornou a “affordability” (carestia) tema obrigatório da política.
Até há pouco, o republicano podia escorar-se no barateamento da gasolina para tentar acalmar os principais consumidores de fósseis no planeta minimizando o aumento de preços de alimentos e outros bens propelido por sandices tarifárias. No final do ano, o combustível voltou aos níveis do fim do governo Joe Biden.
Eis o obstáculo maior para resolver a crise do clima: nenhum político sobrevive, a não ser como ditador, ao aumento de preços de energia. Basta lembrar que a tentativa de subir impostos sobre combustíveis na França, em 2018, deflagrou o movimento de protesto dos “gilets jaunes” (coletes amarelos).
Com sorte, e com uma mãozinha suja de sangue do ICE, a carestia vai custar a republicanos suas maiorias no Congresso, abrindo brecha para um eventual impeachment de Trump. Sem o bode laranja na sala, seria então preciso agir para expulsar o mamute fóssil da casa que chamamos de Terra. Logo.
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Autor: Folha





