Crítica | SP
El Bodegón
Quatro estrelas (muito bom)
R. Sousa Lima, 43, Barra Funda, região oeste. @elbodegonbarrafunda
A caminho do El Bodegón, imaginei que estaria fazendo uma primeira visita a um lugar ainda pouco movimentado. É que a casa, uma parrilla de bairro, abriu há apenas um mês e meio. Nesses casos, é comum ir só para conhecer e voltar tempos depois para uma segunda visita. Assim dá tempo de o lugar se aprumar.
Era um domingo à tarde. No caminho, as ruas da Barra Funda estavam calmas, quase vazias. No ar, aquela nostalgia própria de lugares que ficam perto da linha do trem, onde a verticalização chegou, mas ainda não tomou conta. E onde o histórico industrial se mistura a um cenário boêmio, gastronômico e cultural cada vez mais pulsante.
Contrastando com a calmaria ao redor e diferentemente do que eu pensava, todas as mesas do salão da frente do El Bodegón, que tem um aspecto de boteco e ambiente informal, estavam ocupadas quando chegamos. Então, passando pela parrilla, fomos levados até outro ambiente, na parte de trás do imóvel. Ali ainda havia lugares disponíveis.
No cardápio, as entradas funcionam bem como acompanhamento para as carnes. Caso das fritas (R$ 36), que vêm com batata e batata-doce ao lado da maionese da casa. Então, para começar, pulamos para as empanadas: uma de carne (R$ 18) e uma fora do cardápio fixo, que estava entre as especiais da semana, de morcilla (R$ 20).
As duas chegaram bonitas e gorduchas, com a massa sequinha. A de carne moída estava ótima, com recheio úmido e saboroso. A de morcilla foi prejudicada por um toque rançoso que vinha não dela, mas das nozes usadas na receita. Talvez não estivessem tão frescas, como indicava também sua textura, mais macias que crocantes.
De principal, optamos pelo ancho (350 g de carne, com mix de vegetais; R$ 98). Minutos depois, chegou um prato de chorizo. Como a diferença é nítida (o chorizo tem uma capa de gordura lateral e o ancho tem a gordura entremeada), logo notamos. Assim como a atendente, que rapidamente se desculpou e retirou o prato.
Pouco depois, chegou o certo. O ancho estava macio, no ponto pedido (o da casa, malpassado). Salgado na medida e com a temperatura ideal. O acompanhamento de legumes grelhados veio com abobrinha, abóbora, cebola, cenoura, couve-flor e tomate. Pedindo as empanadas para começar, o prato de carne revelou-se suficiente para duas pessoas.
Ossos do ofício —e da gula—, quisemos provar um dos lanches. Tinha hambúrguer (R$ 48) e choripán (R$ 36). Pedimos o primeiro. Um hambúrguer de 180 gramas preparado com costela black angus e queijo, no pão de brioche. Já estava satisfeita quando ele chegou. Mas as mordidas eram tão prazerosas que foi difícil parar. A carne no ponto correto, o pão muito macio, um deleite.
Para encerrar, provamos a única sobremesa, o pudim (R$ 28). Lisinho, ele chega ao lado de chantili e doce de leite. Aerado e com baunilha bem presente, o chantili agrega leveza e sabor ao pudim. Já o doce de leite entra com uma irresistível sedosidade. Para comer tudo junto ou separado, do jeito que tiver vontade.
Comparados aos de outras casas de preparos na brasa de mesmo nível da cidade, os preços do El Bodegón são um pouco mais em conta (pelo menos, por enquanto). O atendimento foi ágil e gentil. Pena que não precisarei fazer uma nova visita para a crítica. Até há alguns detalhes a acertar. Mas, assim como as carnes que serve, o lugar já está no ponto.
Autor: Folha









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