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Eleição ao Senado em 2026 será a mais significativa da história

O cargo de presidente da República é, sem dúvida, o mais importante na hierarquia política brasileira e o foco em 2026 estará nessa disputa. Em paralelo, a eleição para o Senado Federal, que por muito tempo foi escanteada — “mais números para decorar”, diria o eleitor —, terá um grau de relevância nunca antes visto na história do país, dado o impacto que poderá representar na dinâmica do poder a partir de 2027.

Dependendo do resultado do pleito para a Câmara Alta, o pêndulo poderá se mover para o lado direito e inverter as forças em Brasília, independentemente de quem estiver no Palácio do Planalto. E isso significaria o avanço de uma série de pautas caras à atual oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

São pautas que só podem seguir adiante no Senado em virtude das prerrogativas exclusivas garantidas pelo artigo 52 da Constituição Federal e por emendas constitucionais aprovadas desde a década de 1990. Entre os principais privilégios conferidos à Casa estão:

  • suspender a execução de leis declaradas inconstitucionais pelo STF
  • aprovar autoridades indicadas pelo governo federal, como ministros do STF, diplomatas, advogado-geral da União, entre outros
  • votar cassação de ministros do STF
  • autorizar operações externas de natureza financeira para União e estados

A depender da composição do Senado a partir da próxima eleição, o impeachment do ministro Alexandre Moraes e de outros ministros do STF pode prosperar. As indicações para vagas na Suprema Corte, na Advocacia-Geral da União (AGU) ou na diretoria do Banco Central — e de outros órgãos — podem ser barradas.

Não se trata mais de um papel limitado a carimbar o que a Câmara dos Deputados aprovou e subiu para a Câmara Alta.

Só esses breves exemplos dão aos senadores um instrumento efetivo de pressão institucional e de imposição de limites entre os Poderes da República. Não se trata mais de um papel limitado a carimbar o que a Câmara dos Deputados aprovou e subiu para a Câmara Alta.

O Senado virou o lugar onde se trava a batalha entre o freio e o acelerador da República”, analisa o cientista político Samuel Oliveira. “Não é uma Casa de ‘leis’, como a Câmara dos Deputados, mas de ‘limites’. Quem tem maioria ali, molda o equilíbrio entre os Poderes”, acrescenta.

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Dois terços das cadeiras do Senado serão disputadas na eleição 2026

Nas eleições deste ano, 54 das 81 cadeiras no Senado estarão em jogo, com duas vagas para cada estado e mais o Distrito Federal — 27 senadores seguem com mandato até 2030. Na composição atual da Casa, o governo Lula não chega a ter maioria, mas contando com os movimentos inconvictos dos partidos independentes — ou Centrão —, vem conseguindo frear a oposição em votações consideradas essenciais para a gestão petista.

“A ideia de que ter uma maioria no Senado Federal pode de alguma forma pressionar o Judiciário é algo bastante importante para setores da direita que enxergam o Judiciário como uma espécie de aliado do governo federal. E uma das formas de diminuir o poder desse aliado, desse Executivo e desse Judiciário, seria conquistar uma maioria confortável no Senado Federal”, explica o cientista político e professor do Insper Leandro Cosentino.

Para que a força penda ao lado direito, será necessária a eleição de 24 senadores de oposição para formar a maioria de 41 cadeiras. Para aprovar a cassação de um ministro do STF, a conta é mais ambiciosa: 37 cadeiras. Isso porque nesse caso é obrigatório ter dois terços — 54 votos — para impedir um ministro da Suprema Corte. Isso, claro, sem precisar depender dos partidos do Centrão.

Líderes de direita e de esquerda elegem o Senado como campo de batalha prioritário

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi a primeira voz forte a colocar a importância da eleição ao Senado para as pretensões da direita a partir de 2027. Antes de ser preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, ele repetiu em várias ocasiões e manifestações o objetivo de formar maioria.

“Me deem 50% da Câmara e do Senado que eu mudo o destino do Brasil, nem preciso ser presidente”, declarou. “Se me derem isso, não interessa onde esteja, aqui ou no além, quem assumir a liderança vai mandar mais que o presidente”, prosseguiu.

A reação do presidente Lula foi no mesmo tom, servindo de alerta para a esquerda se organizar para tentar barrar o avanço da direita no Senado. “Em 2026, precisamos eleger senadores da República. Se esses caras [da oposição] elegerem a maioria dos senadores, vão fazer uma muvuca nesse país”, falou durante um evento do PSB.

“Nós precisamos ganhar maioria no Senado. Se não, vão avacalhar com a Suprema Corte”, acrescentou Lula. Parlamentares e articuladores dos dois espectros políticos entenderam o recado e começaram a desenhar planos para comandar o Senado.

O PL, por exemplo, está colocando na rua um bloco com nomes de peso, a começar pela própria família Bolsonaro — a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pode ser candidata no Distrito Federal e o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, trocou o domicílio eleitoral para poder concorrer à Câmara Alta por Santa Catarina.

Bia Kicis (PL-DF), Caroline de Toni (PL-SC), Filipe Barros (PL-PR), Gustavo Gayer (PL-GO), Gilson Machado (PL-PE) e Capitão Alberto Neto (PL-AM) também estão a postos.

Do outro lado, Lula aposta não necessariamente em quadros do PT, mas também em partidos que formam hoje a base aliada ou em políticos que gozam da confiança do petista. Rui Costa (MDB-BA), Manuela D’Ávila (PSOL-RS), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevedo (PSB-PB) e Alexandre Silveira (PSD-MG) são alguns deles.

No núcleo do PT, nomes como Marília Campos (PT-MG), Fernando Haddad (PT-SP) e Paulo Pimenta (PT-RS) podem ir para o jogo. Sem contar a manutenção de algumas cadeiras, como as de Renan Calheiros (MDB-AL), Weverton Roha (PDT-MA) e Humberto Costa (PT-PE).

“A busca sempre é por quadros fortes, sobretudo porque é uma eleição majoritária. Então, os partidos tendem a buscar colocar os seus maiores ativos, tanto do ponto de vista de possibilidade de vitória quanto de visibilidade na corrida eleitoral”, avalia o professor do Insper Leandro Cosentino.

“A tendência é o lançamento de nomes com estofo político, recall de mídia e musculatura partidária. Ex-governadores, ministros, presidentes de siglas e parlamentares em ascensão disputarão espaço numa única cadeira por estado”, reforça o cientista político Samuel Oliveira.

“Em 2026, não será exagero dizer: quem formar maioria no Senado pode não apenas vencer o jogo eleitoral, mas decidir quem poderá jogá-lo à partir do ano de 2027”, complementa.

Autor: Gazeta do Povo

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