sábado, janeiro 10, 2026

Energia nuclear: Meta assina acordos para ter 6 GW – 09/01/2026 – Economia

A Meta anunciou acordos com duas startups de energia nuclear enquanto se volta para desenvolvedores de pequenos reatores para investir seus esforços na IA.

A big tech anunciou nesta sexta-feira (9) que pagaria antecipadamente à Oklo por um desenvolvimento de 1,2 GW (gigawatt) e um projeto de 2,8 GW da TerraPower, fundada por Bill Gates.

A empresa fechou um acordo separado para 2,1 GW de usinas nucleares existentes de propriedade da Vistra. Os acordos resultam em um total de 6 GW —suficiente para abastecer cerca de 5 milhões de residências— seguem um acordo de junho de 2025 para a Meta comprar a produção de uma usina nuclear de propriedade da Constellation Energy, em Illinois (EUA).

A Meta está recorrendo a tecnologias nucleares emergentes para impulsionar sua expansão em tecnologia de IA com uso intensivo de energia, inclusive fornecendo uma garantia para startups sem licença e com necessidade de capital que estão desenvolvendo pequenos reatores.

O acordo com a Oklo, que tem o apoio de Sam Altman, CEO da OpenAI, ajudará a financiar um terreno de 206 acres (833,6 mil m²) no condado de Pike, nos EUA, onde a startup espera iniciar a construção este ano com o objetivo de entrar em operação até 2030.

O financiamento da Meta ajudará a Oklo a comprar combustível nuclear e desenvolver sua tecnologia de reator, que usa sódio líquido em vez de água como refrigeração. As empresas não divulgaram o custo das duas aquisições feitas pela Meta.

A Oklo, que tem um valor de mercado de US$ 15 bilhões e laços estreitos com Chris Wright, secretário de energia dos EUA, não relatou receitas e apresentou perdas trimestrais crescentes ao longo de 2025. A ação da companhia caiu mais de 40% desde seu recorde em outubro.

As ações da Oklo subiram mais de 17% nas negociações pré-mercado após o anúncio do acordo, enquanto a Vistra valorizou 14%. Já a TerraPower é uma empresa de capital fechado.

A Meta disse que seu acordo com a TerraPower apoiará o desenvolvimento de 690 MW até 2032, e mais 2,1 GW previstos para 2035.

Embora o ano passado tenha sido marcado por uma explosão de interesse em pequenos reatores modulares para atender às necessidades de data centers de IA com alto consumo de energia, as empresas do setor estão enfrentando questionamento crescente sobre suas avaliações e a viabilidade de construir e licenciar suas tecnologias.

A Oklo espera fornecer energia comercial aos seus primeiros clientes até 2027, mas ainda não obteve uma licença da Comissão Reguladora Nuclear, tendo sido rejeitada em 2022. A empresa não reapresentou sua solicitação apesar de ter se comprometido a fazê-lo até o final de 2025.

A empresa disse que o acordo com a Meta foi seu primeiro para a venda de energia, tendo anunciado anteriormente colaborações mais flexíveis com os desenvolvedores de de data centers Switch e Equinix.

No entanto, especialistas do setor dizem que até que tenha licenciado e construído sua tecnologia, quaisquer acordos estão em terreno duvidoso.

“Há tantos acordos, é tipo ‘que tédio’. O que eles estão comprando é algo no papel ou em um PowerPoint”, afirmou Chris Gadomski, chefe de pesquisa nuclear da BloombergNEF. “As pessoas não entendem quão lento e desafiador é comercializar tecnologia nuclear.”

De acordo com a consultoria Wood Mackenzie, o preço que os pequenos reatores modulares precisariam cobrar para atingir o ponto de equilíbrio será cerca de 44% mais alto do que o gás natural até 2030.

Os custos finais de energia de pequenos reatores nucleares não estão claros, mas grandes empresas que apostam no crescimento da IA estavam ansiosas para garantir acesso a vastas quantidades de energia e provavelmente estariam dispostas a pagar mais, disse Adam Stein, especialista nuclear do grupo de pesquisa Breakthrough Institute.

Autor Original

Destaques da Semana

Temas

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas

spot_imgspot_img