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Enquanto Israel dormia – 07/03/2026 – Hélio Schwartsman

“While Israel Slept”, dos jornalistas Yaakov Katz e Amir Bohbot, é um livro de necropsia. Os autores examinam ao microscópio os erros dos serviços de segurança e do governo que possibilitaram o ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro de 2023.

Israel tem o mais poderoso exército e os mais eficientes serviços de inteligência da região e ainda assim foi surpreendido pelo grupo palestino, que era considerado, tanto pelos militares como pelos políticos, o menos ameaçador dos três principais inimigos do país (os outros dois são o Irã e o Hezbollah). Como isso foi possível?

O livro não oferece uma resposta única porque a explicação está na famosa cadeia de falhas. Duas das mais flagrantes são o excesso de confiança na tecnologia e a leitura política equivocada. Os israelenses acreditaram erroneamente que a cerca de proteção hi-tech em torno de Gaza impediria qualquer infiltração. Também acreditaram que, apesar da retórica belicosa do Hamas, o Estado judeu e o grupo palestino haviam alcançado um “modus vivendi”. Israel não interferia na administração de Gaza e vinha permitindo que o Hamas recebesse mais dinheiro de países árabes, além de conceder mais permissões de trabalho para a população local atravessar a fronteira.

Não é que os israelenses nunca tenham recebido informações que contraditassem essa visão. Alguns analistas entenderam o que estava para ocorrer e repassaram a informação, mas os escalões superiores estavam tão convencidos de que a sua visão era a correta que ignoraram tudo o que a contrariasse.

O livro é bem detalhista. Mostra como os serviços de inteligência para Gaza foram aos poucos desativados (eles continuaram a funcionar bem no Líbano e no Irã, onde Israel realizou operações secretas com sucesso), as rivalidades entre as diferentes unidades militares e agências civis. Conta também como os israelenses deram corda para o Hamas em seus primórdios, achando que os religiosos seriam um contraponto benigno à OLP de Iasser Arafat. Se arrependimento matasse…

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Autor: Folha

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