sábado, março 7, 2026
25.5 C
Pinhais

Entenda 5 mitos sobre sono dos bebês – 07/03/2026 – Equilíbrio

Poucos aspectos do desenvolvimento infantil são tão repletos de desinformação quanto o sono dos bebês.

Este tema é objeto de inúmeros livros e empresas que tentam vender programas, coaching e conselhos sobre o sono.

Da ideia de que os bebês devem dormir a noite toda aos seis meses de idade até a crença de que as sonecas em movimento não são restauradoras, aqui estão cinco mitos comuns sobre o sono dos bebês e o que as pesquisas científicas dizem a respeito.

1. Não, a maioria dos bebês não dorme a noite toda

Bebês que dormem a noite toda podem ser o santo graal para os pais. Mas eles são relativamente incomuns, como mostram diversos grandes estudos realizados com crianças jovens.

Um estudo com mais de 55 mil bebês na Noruega, por exemplo, concluiu que cerca de sete a cada 10 crianças com seis meses de idade acordam pelo menos uma vez por noite. E, aos 18 meses de idade, mais de uma a cada quatro.

Paralelamente, um estudo de 2020 entre 5.700 crianças na Finlândia concluiu que, em média, os bebês com três, seis ou oito meses de idade acordam mais de duas vezes por noite; aos 12 meses, 1,8 vezes por noite; e os bebês com 18 e 24 meses acordam cerca de uma vez por noite.

“Nossos dados confirmaram que acordar uma a três vezes por noite é comum no início da infância”, escreveram os pesquisadores.

“Quase todas as crianças acordaram entre uma e três vezes por noite e uma minoria dormiu a noite toda (16,5% aos três e 22,3% aos oito meses).”

Mas a frequência com que os bebês acordam apresenta grandes variações.

Os pesquisadores finlandeses, por exemplo, relataram que pelo menos um bebê de oito meses participante do estudo acordou 21,5 vezes por noite.

Estas pesquisas foram baseadas nos relatos dos pais, o que significa que os bebês podem ter acordado mais vezes e seus pais, simplesmente, não perceberam.

O uso de medidas mais objetivas do sono, como gravações de vídeo, para analisar os padrões de sono das crianças indicou que os bebês acordam com frequência ainda maior.

Um pequeno, mas representativo estudo de 2001 utilizando este método concluiu que o número médio de vezes em que as crianças acordaram (definido como ficar desperta por mais de dois minutos) foi de 3 aos três meses de idade, 3,5 aos seis meses, 4,7 aos nove e 2,6 vezes entre crianças com 12 meses de idade.

Mas há boas notícias. À medida que os bebês se aproximam do final do seu primeiro ano, elas começam sozinhas a acordar menos.

O estudo finlandês concluiu que cerca de 8 a 10 bebês com oito meses de idade acordam à noite, mas apenas 25% das crianças de dois anos mantêm este padrão.

2. Mas acordar à noite nem sempre é ‘normal’

Ouvimos, às vezes, que as crianças continuarão a acordar à noite até que elas sejam ensinadas a dormir a noite toda.

Mas isso ignora o fato de que os bebês em desenvolvimento costumam consolidar seu sono sozinhas ao longo do tempo, como descrito acima. E também pode desconsiderar condições de saúde que podem influenciar o sono.

A deficiência de ferro afeta cerca de 15% dos bebês nos Estados Unidos. Ela pode fazer com que a criança acorde à noite com mais frequência, além de causar cansaço e dificuldade para dormir.

Muitas outras condições foram relacionadas ao sono agitado e despertar frequente em bebês e crianças pequenas, como alergias alimentares, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e infecções dos ouvidos.

E existem os distúrbios do sono propriamente ditos. Estima-se que até 6% das crianças sofram de apneia obstrutiva do sono, outra condição que também pode fazer com que as crianças acordem com frequência. Seu pico ocorre entre dois e seis anos de idade.

3. Para a maioria das crianças, 12 horas de sono por dia é muito

Coloque “horário para o bebê dormir” no Google e você poderá observar uma tendência. A maioria dos sites indica que as crianças devem dormir cerca de 12 horas por noite.

Desde que o cronograma “7-7” (19 às 7 horas) se popularizou no Ocidente e nas sociedades industrializadas, qualquer período menor que esse, particularmente para os bebês e crianças pequenas, é considerado insuficiente.

É verdade que algumas crianças realmente precisam de 12 horas por noite, mas muitas não dormem tanto tempo. E colocar essas crianças para dormir cedo demais pode gerar “batalhas” da hora de dormir e fazer com que elas despertem com frequência ou acordem cedo na manhã seguinte.

Um estudo australiano com 5.000 bebês concluiu que as crianças com até quase cinco anos de idade dormem em média 11 horas por dia, não 12. Isso ocorreu até mesmo com os bebês mais jovens estudados, de quatro a seis meses.

Em outras partes do mundo, incluindo muitos países asiáticos, os bebês dormem muito menos.

Um estudo concluiu que bebês de até três anos de idade dormem, em média, 10,17 horas por noite na Austrália, 9,96 no Canadá, 10,51 no Reino Unido e 9,74 horas nos Estados Unidos —mas 8,73 horas em Taiwan, 9,02 em Hong Kong e 9,15 horas na Índia e na Indonésia.

Mesmo nas sociedades que tendem a idealizar o sono 7-7, as recomendações das associações da saúde do sono indicam que uma noite de 12 horas seria o ponto mais alto do espectro.

A Academia Americana de Medicina do Sono, por exemplo, indica que o sono total em um período de 24 horas deveria ser de 12 a 16 horas para bebês de quatro a 12 meses e de 11 a 14 horas para crianças com um a dois anos de idade.

A entidade não indica o quanto desse período deve ser de sono noturno e o quanto de sonecas, por falta de evidências. E há pesquisadores que questionam se essas recomendações têm forte base científica.

4. Sim, as sonecas no trânsito são restauradoras

É comum afirmar que as sonecas em movimento (no carrinho, em um sling ou no carro, por exemplo) mantêm os bebês em um tipo de sono leve, menos restaurador. Mas não há evidências científicas a respeito e algumas pesquisas indicam que o efeito pode ser exatamente o contrário.

Um estudo com 64 bebês de dois meses concluiu que eles apresentaram mais propensão a adormecer e menos probabilidade de chorar quando balançados em frequências mais altas, mas ainda suaves.

Quando os bebês diagnosticados com apneia obstrutiva do sono foram colocados para balançar em comparação com colchões fixos, a quantidade de eventos obstrutivos verificados diminuiu pela metade.

Nenhum estudo publicado examinou, até hoje, a atividade cerebral dos bebês durante as sonecas em movimento, mas existem pesquisas em adultos.

Estes estudos usaram aparelhos de eletroencefalografia para monitorar a atividade cerebral durante o sono.

Eles concluíram que movimentos suaves durante uma soneca aumentam o período de tempo nos estágios de sono profundo, ajudam as pessoas a entrar em sono profundo com mais rapidez, incentivam as oscilações cerebrais que ajudam na consolidação da memória e reduzem o período de tempo em sono leve.

Os balanços promovem o sono até mesmo entre os camundongos.

É claro que faz sentido pensar que as sonecas em movimento não prejudicam o desenvolvimento do cérebro. Afinal, os bebês passam cerca de 90% do seu tempo dormindo quando ainda estão no útero. E grande parte desse período, é claro, acontecia enquanto suas mães andavam ou se movimentavam, “balançando” os bebês no útero.

5. Não, o sono (normalmente) não ‘atrai o sono’

É verdade que, quando alguns bebês ficam muito cansados, eles ficam mais despertos e estressados, o que pode fazer com que eles tenham mais dificuldade para sossegar à noite.

Mas as pesquisas normalmente não confirmam a ideia de que, quanto mais sono uma criança tiver durante o dia, mais sono ela terá à noite.

Na verdade, entre os bebês mais velhos e as crianças em idade pré-escolar, a maioria dos estudos concluiu que o contrário é verdadeiro. Após dois anos de idade, as crianças levam mais tempo para adormecer à noite e acordam mais vezes durante o sono noturno, nos dias em que elas tiram sonecas.

Mas um estudo comparou os dias em que os bebês jovens tiraram mais sonecas com outros em que eles dormiram menos durante o dia e chegou a uma conclusão um pouco diferente.

Curiosamente, o estudo usou actigrafia, que emprega aparelhos vestíveis para monitorar os movimentos e determinar os padrões de sono e vigília, uma medida mais objetiva do sono do que o relato dos pais.

Entre bebês com 6 ou 15 semanas de idade, tirar sonecas durante o dia por mais tempo que o normal não afetou seu tempo de sono noturno. Mas, entre os bebês com 24 semanas, as sonecas mais longas significaram mais tempo dormindo à noite.

É importante observar que a diferença foi pequena. Os bebês de seis meses precisaram dormir mais uma hora durante o dia para conseguir apenas 14 minutos a mais de sono noturno.

Também não se sabe ao certo se a soneca mais longa pode explicar por que os bebês dormiram um pouco mais à noite.

Eles podem ter tirado sonecas maiores porque passaram por um surto de crescimento, por exemplo. E esta pode também ter sido a razão para que eles dormissem mais à noite.

Pode parecer surpreendente que a pesquisa que apoia a noção de que “o sono atrai o sono” tenha ficado abaixo do esperado. Mas um dos principais fundamentos biológicos do adormecimento é o homeostato sono-vigília.

Também conhecido como “pressão do sono”, ele aumenta quanto mais horas os bebês (ou adultos) ficam sem dormir. Por isso, se um bebê dormir demais durante o dia para suas necessidades individuais, ficará mais difícil para ele adormecer à noite.

As necessidades do sono são individuais e variáveis e, como os adultos, os bebês não podem ser convencidos a ter mais sono do que o corpo precisa.

Este texto foi publicado originalmente aqui.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Governo, MPPR e OAB/PR vistoriam cela de Filipe Martins em Ponta Grossa

Um grupo de representantes da Secretaria da Segurança Pública...

Débora do Batom pode rir

Não tem como ignorar a ironia. O ministro do...

Saros: história, gameplay, data de lançamento e mais

O estúdio Housemarque, conhecido especialmente por Returnal, está prestes...

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas