quarta-feira, janeiro 14, 2026

Entenda a Operação Compliance Zero e seus impactos – 14/01/2026 – Economia

Deflagrada pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, a operação Compliance Zero, da PF (Polícia Federal), apura um esquema bilionário de fraudes financeiras que teria usado estruturas do mercado de capitais para desviar recursos e mascarar prejuízos.

As investigações tiveram início em 2024, após requisição do MPF (Ministério Público Federal). No centro da investigação está o Banco Master, de Daniel Vorcaro, além de gestores e empresários ligados a operações com carteiras de crédito e fundos de investimento.

Em duas fases já deflagradas, a PF investiga crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. As apurações avançaram após indícios de emissão de títulos sem lastro e da circulação de “ativos podres” para ocultar rombos financeiros.

O QUE É A INVESTIGAÇÃO

O foco central da operação Compliance Zero é a emissão de títulos de crédito falsos e a criação de uma “ciranda financeira” para ocultar o desvio de ativos. Segundo a PF, o esquema envolvia a fabricação de carteiras de crédito inexistentes que eram vendidas a outras instituições.

Na primeira fase, ocorrida em novembro de 2025, o alvo foi a venda de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado fraudulentas ao BRB (Banco de Brasília).

A PF cumpriu um total de cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão, além de medidas cautelares em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

Entre os itens apreendidos na primeira fase da operação, o de maior valor foi um jatinho atribuído ao banqueiro avaliado em R$ 200 milhões, no dia 17 de novembro. O avião estava no aeroporto de Guarulhos, onde o dono do Master foi detido. De acordo com investigadores, Vorcaro usaria a aeronave para deixar o país.

A Polícia Federal identificou que o dono do Banco Master tinha pelo menos três planos de voo diferentes antes de ser preso na noite do dia 17 de novembro do ano passado, quando se preparava para embarcar para o exterior. A defesa de Vorcaro chamou de especulações as informações sobre uma tentativa de fuga.

Na segunda fase, deflagrada em janeiro de 2026, a PF mirou o uso de fundos de investimento para a compra de “ativos podres”, como certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina).

COMO FUNCIONARIA O ESQUEMA

O Banco Master realizava empréstimos a empresas que, em seguida, aplicavam esses recursos em fundos de uma gestora específica, a Reag Investimentos, apontam as apurações.

Os investigadores suspeitam que esses fundos pertenciam a indivíduos que atuavam como “laranjas” de Vorcaro.

O dinheiro, que deveria ser utilizado pelas empresas tomadoras do empréstimo, seria desviado por meio dessas estruturas financeiras. E os fundos seriam utilizados para adquirir papéis sem valor de mercado, mascarando o rombo financeiro da instituição.

QUEM SÃO OS PRINCIPAIS ALVOS

Daniel Vorcaro

  • Dono do Banco Master
  • Foi preso na primeira fase ao tentar deixar o país em um jato particular, mas foi solto dias depois e segue monitorado por tornozeleira eletrônica
  • A defesa de Vorcaro disse que tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes

Nelson Tanure

  • O empresário foi alvo de buscas na segunda fase da operação
  • É dono de empresas que tiveram valorização relâmpago com fundos de investimentos administrados pela Reag
  • Foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) em São Paulo por suposto uso de informação privilegiada na negociação de ações da Gafisa, da qual é acionista de referência. Ele nega a acusação
  • É conhecido no mundo dos negócios por sua estratégia de adquirir participações em empresas que atravessam momentos de dificuldade financeira ou disputas societárias complexas
  • A defesa dele ainda não de manifestou sobre a operação Compliance Zero

João Carlos Mansur

Fabiano Zettel

  • Cunhado de Vorcaro
  • Foi preso temporariamente na segunda fase sob suspeita de tentar fugir para Dubai
  • É pastor da igreja Lagoinha e vem ganhando destaque no mundo do empreendedorismo nos últimos anos com marcas como a rede de açaí Oakberry e a academia de luxo Les Cinq

QUAL É O PAPEL DO STF

O caso está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). Na segunda fase, o ministro autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões para garantir a recuperação dos ativos.

Toffoli também determinou acareações entre os envolvidos para esclarecer em que momento as fraudes foram detectadas pelo Banco Central e pela cúpula do BRB.

QUAL É O IMPACTO PARA CLIENTES E PARA O MERCADO

O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em 18 de novembro de 2025.

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) afirmou que o processo de devolução do dinheiro para cerca de 1,6 milhão de credores não será afetado pelas investigações policiais, embora os valores estejam parados sem correção monetária desde a liquidação. O volume de indenizações deve chegar a R$ 41 bilhões, o maior da história do FGC.

Nesta quarta-feira (14), o BRB, em nota, afirmou que segue atuando para recuperar os recursos pertencentes à instituição e que o bloqueio de bens pela PF fortalece essa tentativa de reaver o dinheiro. O BRB reforça que suas operações continuam regulares.

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