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Entenda por que tolerância ao álcool diminui com a idade – 24/01/2026 – Equilíbrio

Pergunta: eu costumava conseguir beber duas taças de vinho e ainda me sentir bem. Agora isso me derruba completamente. O que está acontecendo?

Resposta: se o álcool antes te fazia sentir divertido e animado, mas agora te deixa tonto, cansado e com dor de cabeça, parabéns —você provavelmente está envelhecendo.

Não há dúvida de que nossos corpos têm mais dificuldade com o álcool à medida que envelhecemos. “Tenho 53 anos, então definitivamente percebi isso”, diz J. Leigh Leasure, pesquisadora de álcool na Universidade de Houston.

A cada ano que passa, nossos corpos metabolizam o álcool mais lentamente, levando a concentrações mais altas de álcool no sangue, maior comprometimento e ressacas piores. Um corpo em transformação e órgãos envelhecendo são as principais razões para isso, diz Leasure, mas provavelmente existem outros fatores também.

Perda muscular

Pesquisas sugerem que a partir dos 30 anos, perdemos até 8% de massa muscular por década, e a gordura corporal geralmente aumenta com a idade.

Os músculos contêm mais água do que a gordura, então menos músculos significam menos água no corpo para diluir qualquer álcool que você beba, resultando em uma concentração mais alta de álcool no sangue, diz Mollie Monnig, pesquisadora de álcool e envelhecimento na Universidade Brown.

E mais álcool no sangue pode afetar negativamente seus órgãos, como o cérebro, diz ela. Pode piorar sua fala, julgamento, tempo de reação e memória. Também pode prejudicar a coordenação e o equilíbrio, afirma Monnig. Como o álcool fica mais concentrado no seu corpo, também pode aumentar a chance de ressaca, acrescenta.

As mulheres tendem a ficar mais embriagadas do que os homens após beberem a mesma quantidade de álcool por este motivo: elas geralmente têm menos massa muscular do que os homens, mesmo quando têm a mesma altura e peso. Isso cria uma espécie de duplo problema para mulheres que estão envelhecendo, diz Leasure.

Função hepática reduzida

As enzimas do fígado que metabolizam o álcool tornam-se menos eficientes com a idade, fazendo com que as pessoas sintam os efeitos do álcool mais rapidamente e permaneçam bêbadas ou alteradas por mais tempo, diz Doug Matthews, neurocientista comportamental que estuda álcool na Universidade de Wisconsin-Eau Claire.

Adultos mais velhos também têm maior probabilidade de ter condições que prejudicam a capacidade do fígado de metabolizar o álcool, incluindo a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), conhecida popularmente como gordura no fígado, e a cirrose, um estágio mais avançado da doença.

Quando o metabolismo do álcool diminui como resultado da perda muscular e das mudanças no fígado, as pessoas podem sentir os efeitos do álcool mais cedo e de forma mais aguda do que quando eram mais jovens, e seus níveis de álcool no sangue podem permanecer elevados por mais tempo, diz Monnig.

Interações medicamentosas

Pessoas mais velhas tendem a tomar mais medicamentos do que pessoas mais jovens, e alguns deles podem interagir com o álcool e piorar o comprometimento, diz Monnig.

Gabapentina, que é usada para tratar dor crônica nos nervos e convulsões, e é cada vez mais prescrita para adultos mais velhos, é um exemplo. Ela prejudica a coordenação e o tempo de reação, e o álcool piora esses sintomas.

Outros medicamentos que podem causar interações potencialmente graves com o álcool em adultos mais velhos incluem certos barbitúricos, benzodiazepínicos, antidepressivos, medicamentos para convulsões e medicamentos para pressão arterial.

Subprodutos tóxicos, desidratação e menos sono

Quando o álcool é metabolizado, libera subprodutos tóxicos, incluindo um chamado acetaldeído, que podem levar a dores de cabeça, náusea, sudorese, pulso rápido e outros sintomas semelhantes aos da ressaca. Quanto mais rápido seu corpo elimina esses subprodutos, melhor você se sente. Mas à medida que você envelhece, esse processo de remoção fica mais lento, fazendo com que os sintomas da ressaca durem mais tempo, diz Matthews.

Pessoas mais velhas também não são tão boas em sentir sede, acrescenta Leasure, então elas podem beber menos água e, portanto, acabar mais desidratadas após consumir álcool, resultando em dores de cabeça e fadiga. A qualidade do sono também costuma diminuir com a idade, e o álcool pode piorar o sono, diz Leasure. Os dois combinados podem deixar as pessoas ainda mais cansadas.

Considerando essas tendências, e as pesquisas sugerindo que até pequenas quantidades de álcool podem ser inseguras, é compreensível que você esteja questionando a sabedoria de apreciar um coquetel depois dos 40 anos, diz Leisure.

“É mais uma coisa para administrar”, diz ela, acrescentando que aprendeu que, se beber, sabe que acabará pagando por isso mais tarde.

Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.

Autor: Folha

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