A primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, comentou em uma publicação de seu marido, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que o Brasil precisa de um “novo CEO”. A manifestação foi encarada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um incentivo a candidatura de Tarcísio ao Planalto.
“Nosso país precisa de um novo CEO, meu marido!”, escreveu Cristiane em um vídeo que mostrava o governador criticando o governo Lula (PT). Tarcisio curtiu o comentário da mulher. O jornalista Allan dos Santos disse ter sido chamado de “pérfido” quando apontou que o ex-ministro de Bolsonaro quer a “faixa presidencial”.
“A mulher de Tarcísio deixou escapar, ‘sem querer’, que o plano dela e do marido é a faixa presidencial. Sabe quem curtiu o comentário? A mesma pessoa que publicou o vídeo nos Stories do Instagram”, disse Santos.
“Quando apontei isso, chamaram-me de tudo que é pérfido. Sempre que alguém tenta levar luz a quem está na caverna, os que preferem a escuridão se voltam contra quem aponta a claridade”, acrescentou.
Apesar de ter sido o principal cotado para substituir Bolsonaro no pleito, o governador nega a intenção de disputar a presidência da República. Além disso, o ex-presidente deu aval para a candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao Planalto.
Mais cedo, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) criticou “isentões, eleitos graças ao sacrifício de Jair Bolsonaro”, que estão “mostrando suas garrinhas”.
“Os ‘isentões’, ‘limpinhos’, eleitos graças ao sacrifício de Jair Bolsonaro; os que jamais foram eleitos a nada, mas lamentavelmente se deixam embrenhar pelos ouvidos; os que hoje sequer tocam no nome do líder torturado… todos, absolutamente todos, vão mais uma vez mostrando suas garrinhas e unhas pintadas… Confia na democracia inabalável!!!!”, afirmou Carlos.
Além disso, o filho de Bolsonaro publicou uma foto do ex-governador de São Paulo, João Doria, segurando uma edição da revista Forbes com a manchete: “João Doria: O CEO de São Paulo”.
O jornalista Paulo Figueiredo destacou que o “bolsonarismo não quer um CEO”. Para ele, pensar o país como uma empresa “é positivismo estúpido típico de milico”. Tarcísio serviu o Exército por 17 anos.
“País não é empresa e presidente não é gestor de planilha. CEO pensa em eficiência, custo e lucro; presidente tem que lidar com valores, soberania, identidade nacional e com um povo real, diverso e cheio de conflitos legítimos”, disse.
Segundo Figueiredo, “essa ideia de ‘governo técnico, não ideológico’ serviu para tirar decisões da mão da população e entregá-las a burocratas, especialistas e elites que se dizem neutras, mas impõem sua própria visão de mundo”.
“O bolsonarismo nasce da antítese disso, como reação a essa lógica — não contra ordem ou competência, mas contra a ideia de que o povo deve ser permanentemente tutelado por uma elite tecnocrática que trata a nação como se fosse uma empresa mal administrada”, ressaltou o jornalista.
O advogado Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretária de Comunicação Social da Presidência no governo Bolsonaro, compartilhou a publicação de Figueiredo com a seguinte legenda: “Muito importante isso. Vale ler, reler, reler e reler. O ‘lucro, o resultado positivo, do Sudeste pode não ser o desejável em outra região’. Atenção máxima com isso. O Brasil é um continente”.
Tarcísio defendeu “novo CEO” no Planalto
No vídeo que recebeu o comentário da primeira-dama, Tarcísio afirma que o “Brasil não aguenta mais 4 anos de PT” e compara a chegada de um novo presidente a um “novo CEO”, capaz de implementar uma agenda econômica rigorosa.
“A população vai se tocar que o que tá aí envelheceu. Já não tem mais nada de novo e mais nada de moderno. E eu tenho certeza que o Brasil vai fazer a escolha correta. A gente está se limitando, se autocontendo; isso é uma bobagem. A gente tem uma energia gigante e aí são três, quatro alavancas que a gente precisa mexer para explodir”, diz o governador.
“Porque veja lá, novo CEO vai chegar e vai fazer uma reforma administrativa, vai diminuir o tamanho do estado, vai voltar a fazer privatizações, vai economizar 3% do PIB, 3,5% do PIB. Que que vai acontecer? Vai ser uma explosão de recursos vindo para cá. Dinheiro para caramba”, acrescentou.
Segundo Tarcísio, a chegada do “novo CEO” ao Planalto fará com que a inflação e a taxa de juros caiam e os investimentos aumentem. “Fazendo a escolha correta, a gente vai mexer as alavancas corretas e esse Brasil vai explodir”, concluiu.
Tarcísio disse que está disposto a ajudar Flávio “no que for preciso”
Em dezembro, Tarcísio declarou lealdade a Bolsonaro e disse que ajudará a candidatura de Flávio “no que for preciso”. Aliados do senador cobram por manifestações mais explícitas de apoio do governador.
Flávio tentou minimizar as críticas, nesta terça-feira (13), disse que o apoio de Tarcísio chegará “na hora certa”. “Confio nele [Tarcísio], confio na lealdade dele. É um palanque em São Paulo que qualquer candidato a presidente gostaria de ter”, afirmou.




