Os Estados Unidos podem suspender algumas sanções à Venezuela já nesta próxima semana, segundo afirmou o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, em entrevista no último sábado (10).
Os comentários de Bessent surgem em meio ao ceticismo entre executivos do setor petrolífero sobre fazer os grandes compromissos de capital buscados por Donald Trump. O presidente republicano tenta convencer as empresas americanas a investir dezenas de bilhões de dólares na revitalização da indústria de petróleo do país.
“Estamos retirando as sanções sobre o petróleo que será vendido”, disse Bessent à Reuters.
Depois de dizer que os EUA “administrariam” a Venezuela imediatamente após a captura do ditador Nicolás Maduro, Trump afirmou na sexta-feira que o governo interino em Caracas “parece ser um aliado, e acho que continuará sendo um aliado” de Washington.
Ele disse ainda que os EUA “provavelmente” não lançarão mais operações militares na Venezuela, já que Caracas respondeu satisfatoriamente desde a remoção de Maduro.
Bessent disse que os EUA estão considerando como podem melhor fazer fluir novamente a receita do petróleo na Venezuela “para administrar o governo, administrar os serviços de segurança e entregá-la ao povo venezuelano”.
Quando perguntado pela Reuters sobre quando as sanções poderiam ser suspensas, Bessent disse “poderia ser já na próxima semana”. O Tesouro não respondeu às perguntas sobre quais sanções Bessent estava se referindo.
O Departamento de Energia dos EUA disse na quarta-feira que o país “está seletivamente revogando sanções para permitir o transporte e a venda de petróleo bruto e produtos venezuelanos para mercados globais”.
Bessent também disse que se reuniria na próxima semana com os chefes do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial sobre o reengajamento de suas organizações com Caracas. Ele acrescentou que os aproximadamente US$ 5 bilhões de Direitos Especiais de Saque do FMI congelados da Venezuela poderiam ser usados para ajudar a reformular a economia venezuelana.
O FMI e o Banco Mundial não responderam aos pedidos de comentário.
Trump reuniu os executivos de energia mais proeminentes dos EUA na Casa Branca na sexta-feira para tentar convencê-los a gastar “pelo menos US$ 100 bilhões” na Venezuela para aumentar a produção e reduzir os preços do petróleo nos EUA.
Enquanto alguns executivos estavam otimistas sobre a perspectiva de investir na Venezuela, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, alertou o presidente que o país continua “não investível” sem “mudanças significativas”. O FT relatou que é improvável que a indústria petrolífera se comprometa a fazer grandes investimentos na Venezuela sem garantias legais, financeiras e de segurança da administração Trump.
Trump disse aos executivos na sexta-feira que “eles terão essas garantias [de segurança]”, sem especificar como seriam essas garantias.
Os EUA começaram a impor sanções direcionadas a venezuelanos e entidades venezuelanas em 2005, com o primeiro governo Trump ampliando-as em 2019. Naquele ano, Trump assinou ordens executivas impondo restrições financeiras e setoriais, e sancionando o governo venezuelano e a empresa estatal de petróleo Petróleos de Venezuela (PDVSA)
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O presidente dos EUA assinou uma ordem executiva na noite de sexta-feira impedindo tribunais e credores de confiscar receitas de petróleo da Venezuela mantidas em contas do Tesouro dos EUA, declarando uma “emergência nacional para salvaguardar” essa receita.
“O Presidente Trump está impedindo a apreensão de receitas petrolíferas venezuelanas que poderiam minar os esforços críticos dos EUA para garantir a estabilidade econômica e política na Venezuela”, disse a Casa Branca.




