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Europeus perdem espaço com disparada de negócios nos EUA – 05/01/2026 – Esporte

Os clubes de futebol europeus ficaram à margem de um boom de negócios que evidenciou a valorização das franquias esportivas americanas e destacou os desafios enfrentados pelos donos de times europeus.

Investidores argumentam que a dificuldade em controlar os custos, bem como a constante ameaça de rebaixamento, têm limitado o interesse europeu, mesmo com uma série de negócios nos Estados Unidos que impulsionaram a valorização de diversos esportes.

O grupo de private equity Sixth Street e o financista americano Dean Metropoulos adquiriram uma participação de 8% no New England Patriots em setembro. O negócio avaliou o time da NFL (National Football League) em mais de US$ 9 bilhões (R$ 49 bilhões), o equivalente a mais de 11 vezes a receita.

Algumas semanas depois, Mark Walter, CEO da Guggenheim Partners, concluiu a compra da participação majoritária no Los Angeles Lakers, avaliando o time de basquete em US$ 10 bilhões (R$ 54,3 bilhões), o equivalente a cerca de 18 vezes a receita.

Segundo estimativas da Sportico, o valor médio de uma equipe da NBA subiu para 14,1 vezes a receita, ante 11,8 vezes em 2023.

As avaliações médias das equipes da NFL, impulsionadas pela decisão da liga em 2024 de permitir que empresas de private equity comprassem participações minoritárias, aumentaram para 10,2 vezes no mesmo período, de acordo com a Sportico.

Das 10 equipes esportivas mais valiosas do mundo, seis competem na NFL, três na NBA e uma —o New York Yankees— joga na Major League Baseball. A Sportico estima que o Real Madrid seja o clube de futebol mais valioso do mundo, embora ocupe apenas a 22ª posição no ranking geral.

“Nos Estados Unidos, existe um crescimento muito previsível, duradouro e sustentável”, disse Doc O’Connor, cofundador da Arctos Partners, empresa de private equity focada em esportes, em um evento recente do setor em Londres. “O ambiente no futebol europeu é muito, muito diferente das ligas norte-americanas.”

As avaliações dos principais times de futebol masculino, concentrados na Europa, estagnaram em apenas 4,2 vezes a receita. A atividade de fusões e aquisições no futebol europeu caiu drasticamente desde uma série de aquisições recordes em 2022, segundo dados da Uefa (União das Associações Europeias de Futebol).

A Apollo Global Management concordou em comprar uma participação majoritária no Atlético de Madrid, o terceiro maior clube de futebol da Espanha, por um valor entre € 2 bilhões (R$ 12,8 bilhões) e € 2,5 bilhões (R$ 16 bilhões) em 2025. O limite inferior dessa faixa implica uma avaliação de 4,9 vezes sua receita de 2024.

“O nível de regulamentação em nível de liga [no futebol] é muito menor”, disse O’Connor. “Há problemas como o acesso e o rebaixamento, não há limites reais efetivos para o endividamento e nem limites efetivos para os gastos [com salários de jogadores e taxas de transferência]. Isso explica a diferença nas avaliações.”

Enquanto as regras financeiras do futebol estão sendo reforçadas tanto em nível europeu quanto nas ligas nacionais, diversos investidores e donos de times têm defendido a implementação de tetos salariais nos moldes dos americanos para conter os gastos exorbitantes dos clubes com jogadores.

De acordo com os dados mais recentes da Uefa, mais da metade dos times da primeira divisão europeia registraram prejuízos operacionais em 2024, com um prejuízo total de € 300 milhões (R$ 1,9 bilhão). Os custos com transferências elevaram o prejuízo total antes dos impostos para € 1,2 bilhão (R$ 7,6 bilhões), enquanto a dívida combinada aumentou 10%, chegando a € 28,1 bilhões (R$ 179,5 bilhões).

Outros especialistas também citam a divergência nos mercados de direitos de mídia nos Estados Unidos e na Europa como um fator importante para a diferença na atratividade para os investidores.

As ligas esportivas americanas negociaram com sucesso aumentos expressivos em seus direitos de mídia. O último conjunto de contratos da NBA, com duração de 11 anos, resultou em um aumento da receita de US$ 2,6 bilhões (R$ 14,1 bilhões) para US$ 6,9 bilhões (R$ 37,5 bilhões) por ano, impulsionado pela forte concorrência das redes de TV a cabo tradicionais e dos serviços de streaming.

Enquanto isso, os direitos de mídia das principais ligas de futebol europeias estão em queda ou mostram sinais de estagnação.

Mesmo a Premier League inglesa, a competição nacional de maior sucesso comercial, conseguiu apenas um aumento de 4% em seus direitos de mídia no Reino Unido, em comparação com oito anos atrás, quando os direitos foram renegociados pela última vez.

Além do formato fechado das competições, as equipes esportivas americanas compartilham a maior parte das receitas principais igualmente, incluindo a receita de contratos de TV, o que aumenta seu atrativo para investidores.

“A organização, a estrutura e as oportunidades de compartilhamento de receita das ligas nos Estados Unidos são muito diferentes em comparação com qualquer outro lugar do mundo”, disse John Lambros, chefe de mídia digital e entretenimento da Houlihan Lokey.

“Há menor risco e volatilidade na maioria dos esportes americanos… não há risco de rebaixamento e os direitos de mídia previsíveis tornam as receitas estáveis e previsíveis”, acrescentou.

Os torcedores de futebol na Europa, no entanto, resistem ao modelo de liga fechada. A indignação generalizada com os planos para uma Superliga Europeia independente em 2021 se deveu, em parte, ao fato de a competição ter sido concebida de forma que os clubes membros fundadores não pudessem ser rebaixados.

Autor: Folha

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