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Exército define compra arma de defesa antiaérea italiana – 14/01/2026 – Política


O Exército brasileiro será equipado com um sistema de defesa antiaérea italiano de médias altura e alcance, conforme um acordo de cooperação entre os dois governos.

A decisão integra uma portaria assinada em 22 de dezembro passado pelo general Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado Maior do Exército, publicada em boletim da Força na sexta-feira (9).

A portaria estabelece diretrizes para a compra e cooperação no desenvolvimento dos equipamentos. Não são citadas datas para contrato.

Como mostrou a Folha, o município de Jundiaí, no interior de São Paulo, de início será responsável por centralizar a futura defesa antiaérea do Exército no país.

O 12º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha), de Jundiaí, passou a se chamar em julho passado de 12º GAAAe (12º Grupo de Artilharia Antiaérea).

Até 2039, dentro do projeto Força 40 de modernização do Exército, se prevê a conclusão da inédita implantação no país de um sistema de defesa antiaérea de média altura, com mísseis que podem alcançar 15 km de altura (cerca de 50 mil pés) e um raio de até 40 km de distância (podendo chegar a 60 km).

Atualmente, o país conta apenas com defesa antiaérea terrestre de baixa altura, com capacidade de alcance de até 3 km.

Sem falar em valores do investimento —que pode chegar a quase R$ 4 bilhões, segundo pessoas a par do assunto—, a portaria explica que o equipamento a ser adquirido é do grupo multinacional MBDA, que tem a Itália entre suas origens.

Procurado para falar dos custos estimados e prazos, o Exército não respondeu até publicação desta reportagem.

A portaria diz que o sistema italiano Emads (Enhanced Modular Air Defense Solutions ou, na tradução literal, soluções modulares de defesa aérea) usa mísseis CAMM-ER, de alcance estendido, semelhantes aos utilizados pela Marinha em fragatas da classe Tamandaré, que estão em construção em Itajaí (SC).

Entre várias justificativas para a compra, ainda elogia os conjuntos de radares.

O documento também relata históricos de outros acordos bilaterais bélicos entre os dois países, da aquisição dos primeiros submarinos pela Marinha brasileira, em 1914, a aviões da Força Aérea e blindados do Exército.

Ainda conforme o documento, um acordo internacional especifico governo a governo, entre Itália e Brasil, pode permitir melhores condições de financiamento, prazos, manutenção, reposição de peças, e garantia de suporte ao longo de décadas.

Também afirma ter um relatório apontando que o governo italiano possui uma estrutura G2G (governo a governo) para cooperação desenvolvida e madura.

Entre outros, o sistema a ser obtido deverá contar com três baterias antiaérea, uma de comando, para coordenação dos disparos, e duas de mísseis.

Também incluem lançadores de mísseis de oito células.

O documento detalha que o contrato deverá fornecer 60 mísseis por grupo de bateria, sendo que 48 operacionais e 12 para treinamentos.

Inicialmente, 20 militares serão treinados no exterior, mas o acordo prevê a possibilidade de esses treinamentos serem realizados no Brasil.

O Brasil chegou a estudar a compra do alemão IRIS-T SLM/SLS, da Diehl Defence, ou o Aster (SAMP/T), da francesa Eurosam, segundo disse à reportagem em outubro passado o general de Brigada Marcos José Martins Coelho, na época comandante da Defesa Antiaérea do Exército.

O investimento em armamentos de média altura está no papel desde 2012 e foi apontado como imprescindível, segundo uma portaria publicada pelo Exército em julho, com as diretrizes do projeto.

O novo documento foi assinado em meio ao avanço militar dos Estados Unidos na região, que no último dia 3 capturaram o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, que estão presos em Nova York.

“Estamos na fronteira, eles [Venezuela] são um país fronteiriço. Não é o fundamental, não é por isso que nós estamos fazendo [a compra do armamento]. Mas reforça a ideia de que precisamos do equipamento”, disse o general à Folha na época, em seu então gabinete no Comando de Defesa Antiaérea do Exército, no Forte dos Andradas, em Guarujá (litoral paulista).

A implantação de defesa aérea terrestre de médias altura e alcance é explicada no documento para solucionar parte do problema representado pela evolução da situação no mundo e no entorno estratégico do país, “caracterizada pela deflagração de conflitos e enfrentamentos de larga escala com a utilização maciça de meios aeroespaciais e vetores de variada gama de possibilidades e de alta letalidade”.



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