O pianista, compositor e arranjador Fabio Torres, 55, e o baterista, pianista, arranjador e compositor Cainã Mendonça, 20, lançam, em uma série de shows, o álbum “Derivas”, já disponível nas plataformas digitais.
O primeiro espetáculo acontece no dia 11 de março, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Depois do show de São Paulo, o duo se apresentará nos dias 25 e 26 março, em Joinville; 27, em Florianópolis; 28, em Porto Alegre, e no dia 2 de abril, no Sesc Campinas.
Caso você consiga ir a algum desses shows, prepare-se. Primeiramente para se surpreender ouvindo um duo no qual o piano e a bateria trocam ideias que possibilitam a máxima exploração dos recursos existentes entre esses dois instrumentos.
“Segundamente”, porque o álbum “Derivas” traz sete faixas autorais nas quais há muito mais que um profundo e complexo diálogo de timbres e expressões entre dois instrumentos. Torres e Mendonça, tutores de si, sabem cuidar, proteger e dar suporte a seus talentos, além de acolherem perfeitamente um ao outro nas composições que interpretam.
A energia e a condução rítmica absurda -ora pela mão esquerda de Torres, ora pela performance de Mendonça, um metrônomo humano- sustentam harmonias complexas, melodias bem elaboradas e improvisos extremamente felizes, onde a técnica figura como um recurso bem utilizado para a expressividade das composições apresentadas. É técnica alinhada à alma.
Às vezes, tudo pode parecer um tanto quanto frenético, agitado, exultante, rápido ou desordenado, denotando que equivocadamente a dupla foi motivada por uma ansiedade ou euforia intensa provocada por dois músicos querendo mostrar tudo o que sabem em pouco tempo. Ledo engano, pois os dois instrumentistas dominam -e com muita propriedade- o senhor tempo, fazendo dele, e com ele, o que bem entendem, sem nunca desrespeitá-lo.
Um primor no quesito domínio e criatividade, “Derivas”, além de um álbum, é uma aula que surpreende. Muito bem gravado e mixado por Adonias Souza Jr, no Estúdio Arsis, em São Paulo, em maio e agosto de 2025, o trabalho traz o encontro virtuosístico entre dois músicos que transcende a simples execução musical. “Derivas” é um diálogo telepático onde o tempo e o som se fundem de forma assombrosa.
Quando dois dedicados músicos como Fabio Torres e Cainã Mendonça se unem, a harmonia e a melodia do piano deixam de ser apenas acompanhamento para se tornar parte da estrutura rítmica, enquanto a bateria deixa de ser apenas percussão para se expor “cantando”. Em profunda sincronia, cada nota, acorde, batida e pratada são respostas imediatas ao que o outro acabou de propor, resultando em uma performance técnica e visceral.
Embora de diferentes gerações, Torres e Mendonça apresentam uma afinidade e cumplicidade musical certamente conquistada após tocarem bastante juntos expondo, um ao outro, suas técnicas, acertos, erros e almas. Aqui a prática levou à perfeição.
Assista, a seguir, aos vídeos nos quais Fabio Torres e Cainã Mendonça tocam duas faixas do álbum “Derivas”: “Encrenca”, de Cainã Mendonça e “Baião de Salomão”, de Fabio Torres.
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Autor: Folha















