Os sócios da Fictor Holding Financeira, que nesta segunda-feira (17) anunciou proposta de compra do Banco Master, pretendem fazer novos investimentos na empresa, além dos R$ 3 bilhões anunciados inicialmente. Eles não revelam quem são os sócios no negócio, anunciados como um consórcio dos Emirados Árabes.
“Esses aportes serão definidos para mitigar o passivo do Master”, afirma Rafael Paixão, um dos sócios da empresa, ao lado de Phillippe Rubini e Rafael Góis.
A operação ainda está sujeita à aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Segundo pessoas a par das tratativas, a Fictor não tinha apresentado ao BC o pedido de compra do Master antes de fazer o anúncio publicamente, algo incomum no setor financeiro.
Aquisições de instituições financeiras precisam passar pelo crivo do regulador, um processo que costuma ser criterioso e demorado. Tampouco tinha discutido com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) o futuro de uma linha de liquidez bilionária concedida.
A compra envolve o Master e o LetsBank. O Will Bank e o Banco Master de Investimentos não foram incluídos na transação. Segundo Góis, esta foi uma condição para a negociação.
Ele afirma que dois fundos do exterior assumirão essas instituições, mas isso apenas será revelado na sexta-feira (21).
O mesmo vale para o fundo de investimento dos Emirados Árabes, sócio na empreitada. “Eles já estão no Brasil, mas não no mercado financeiro”, afirma Góis.
Os sócios da Fictor afirmam ter feito feito três visitas a Dubai neste ano para fechar acordo. E que a empresa esperava havia três anos uma oportunidade como essa.
Entre as questões em aberto, estão os R$ 4 bilhões de empréstimo emergencial do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Os sócios dizem que o pagamento será resolvido mediante uma negociação.
O fundo, alimentado com dinheiro das instituições financeiras, garante depósitos de investidores em caso de quebra de bancos.
A possibilidade de compra do Master estava na mesa do Fictor desde o início do ano, os sócios afirmam, mas é um projeto mais antigo de Phillippe Rubini.
“Eu tinha interesse em comprar um banco e surgiu a oportunidade de comprar o Master. Principalmente quando viabilizamos os investidores”, afirma ele.
Se o negócio for concluído, a holding terá 100% das ações que estavam com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Como parte do acordo apresentado ao Banco Central, Vorcaro deixará o negócio, um novo conselho será formado e um presidente eleito.
Em setembro, o Banco Central havia rejeitado uma tentativa do BRB (Banco de Brasília) de adquirir o Master, num acordo que previa a compra de R$ 23 bilhões em ativos do banco de Vorcaro. A autoridade monetária apontou risco de sucessão ao vetar a operação, já que o BRB teria que assumir todas ou grande parte das operações não conhecidas do Master.
A Fictor faz parte de um conglomerado que possui negócios em setores como alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis. O grupo, que patrocina o Palmeiras com R$ 30 milhões por ano, diz que tem cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).
O grupo econômico afirma ter mais de 6.000 colaboradores.





