Países árabes seguem interessados em fazer negócios com o bloco? Lula fez questão de dar um empurrãozinho
Por Alexandre Rocha
O acordo de livre comércio que o Mercosul negocia com os Emirados Árabes Unidos foi o principal assunto tratado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente do país árabe, Mohammed Bin Zayed Al Nahyan, ontem, durante passagem do mandatário brasileiro por Abu Dhabi na volta de sua viagem à Ásia. Segundo fontes diplomáticas, o tema ocupou cerca de 80% da reunião entre os dois líderes.
A ideia do tratado, chamado oficialmente de Acordo de Parceria Econômica Abrangente (Cepa, na sigla em inglês), foi lançada em 2023, por meio de uma consulta pública do governo brasileiro destinada a sondar empresários e a sociedade civil sobre um eventual convênio. As negociações seguiram em 2024 e 2025, e havia expectativa de autoridades do Brasil e dos Emirados que as tratativas seriam concluídas ainda no ano passado, o que não ocorreu.
Lá atrás, quando da consulta pública, o governo brasileiro reconhecia que havia preocupação de alguns setores com o acordo, como o de produtos químicos.
O Brasil já teve grandes ambições em relação a tratados do Mercosul com países árabes. Em 2005, foi firmado um acordo quadro do bloco sul-americano com o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados, Kuwait e Omã, dando o pontapé inicial nas negociações para um acordo de livre comércio.
A assinatura ocorreu às margens da 1ª Cúpula América do Sul-País Árabes (Aspa), iniciativa capitaneada por Lula em seu primeiro mandato. Após alguns anos, porém, as tratativas arrefeceram, principalmente por causa da resistência da indústria petroquímica brasileira, que temia a concorrência dos produtos do Golfo, região muito forte na cadeia de petróleo e gás.
Foram lançadas iniciativas semelhantes em relação ao Marrocos, Jordânia, Síria e Líbano, não concluídas. O Mercosul assinou um acordo de livre comércio com a Palestina, que o Brasil reconhece como Estado, em 2011.
O único acordo com um país árabe que está de fato em vigor é o de livre comércio entre o Mercosul e o Egito, assinado em 2010 e ativo desde 2017. Foi o segundo tratado do gênero firmado pelo bloco sul-americano com uma nação de fora da América Latina. O primeiro foi com Israel, que fica no Oriente Médio, mas não é um país árabe.



















