Você já ouviu falar em mama-cadela? Conhecida também como “chicletinho do Cerrado“, ela não costuma fazer parte da alimentação nem mesmo de pessoas que vivem na região central do Brasil. Mas deveria: um estudo recente indica que essa frutinha de nome curioso pode ser uma potente fonte de nutrientes.
“Ela aporta uma grande quantidade de vitamina C e compostos bioativos denominados carotenoides, como o licopeno e o betacaroteno, que são precursores da vitamina A”, diz a nutricionista Sthefani Pires Ribeiro Silva, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia, unidade pública em Goiás gerida pelo Einstein Hospital Israelita.
A quantidade de benefícios chamou a atenção de um grupo de pesquisadoras da USP (Universidade de São Paulo), que decidiu estudar a composição da fruta em um trabalho publicado no Journal of the Brazilian Chemical Society. A análise indicou que uma porção de 100 gramas da fruta fornece 80% da recomendação diária de vitamina A e 100% de vitamina C.
“A vitamina A é um nutriente que se encontra apenas em alimentos de origem animal. Vegetais e frutas fornecem pró-vitaminas A, especialmente os carotenoides, que estão bem presentes em alimentos de cores amarela, laranja ou vermelha. É nosso organismo que atua para transformar esses compostos em vitamina A”, explica Silva.
Entre os carotenoides, a mama-cadela se destaca. A fruta oferece de 18 a 22 mg a cada 100g da fruta in natura. “Essa quantidade é considerada excelente para um único alimento, sendo a base para que o corpo produza cerca de 80% da necessidade diária de vitamina A em adultos”, observa a nutricionista.
Benefícios da vitamina A
A vitamina A é um nutriente essencial para o organismo, usado especialmente para o bom funcionamento de células nervosas sensíveis à luz nos olhos. É por isso que os sinais de uma deficiência desse nutriente costumam se manifestar como dificuldade de enxergar, especialmente à noite. Além disso, ela é crucial para renovação das células que compõem os tecidos do corpo, exercendo papel preventivo contra infecções.
Apesar da profusão de nutrientes e dos benefícios que eles podem fornecer ao organismo, antes do trabalho da USP, a mama-cadela jamais havia sido estudada com essa profundidade. Para Sthefani Silva, esse é um reflexo de como nossos hábitos à mesa não privilegiam ingredientes de locais.
“A origem desse vazio está tanto na falta de informação sobre o alimento quanto no desconhecimento sobre a forma de preparo para consumo. Com isso, não há uma cadeia produtiva formal para comercialização.”
Entretanto, nos últimos anos, a procura por produtos locais vem aumentando. “Incluir alimentos nativos no consumo do dia a dia não apenas traz uma maior variedade de nutrientes e compostos bioativos na alimentação como também incentiva a agricultura local dos pequenos produtores e a preservação do bioma da região”, destaca a especialista.
O que é a mama-cadela?
A fruta de casca rugosa e laranja tem cerca de 2 centímetros de diâmetro, com tamanho e caroços semelhantes aos de uma pitanga, mas de sabor muito mais adocicado. A mama-cadela tem uma casca fibrosa, que dificulta sua mastigação; por isso, é usada em preparos de doces e sobremesas.
Mas a nutricionista aconselha que o consumo seja feito sempre in natura. Assim se evita o consumo excessivo de açúcar e, principalmente, preserva-se as fibras, responsáveis pela textura do alimento. “As fibras são um componente muito importante e comumente deficiente na dieta do brasileiro, que têm papel crucial na manutenção da saúde, principalmente intestinal”, frisa Silva.
Se encontrar essa frutinha por aí, que tal dar uma chance a ela? Sua saúde agradece.




