Referência na venda de guloseimas, quando menino Orlando Gazzola Júnior não teve as mesmas oportunidades da maioria das crianças de hoje, uma das principais clientelas de sua distribuidora de produtos alimentícios.
Aos 8 anos de idade, Orlandinho, como foi chamado até o fim da vida, entregava de bicicleta carnes do açougue do pai em Jundiaí, no interior de São Paulo.
Por causa do comércio da família, aos 12 anos já sabia dirigir caminhão. Foi na boleia que começou a ganhar a vida. Desbravou o país puxando carga de gado, diante de todas as dificuldades que a estrada impõe.
Também trabalhou na concessionária de automóveis de um parente —até encontrar uma pessoa que estava começando a revender uma marca de biscoitos em meados da década de 1960. Com mais um sócio, começaram o negócio.
A sociedade que fundou a GTS, das siglas Gazzola, Turini e Silva, avançou no tempo. Ao longo de mais de cinco décadas, a empresa cresceu e mudou de endereço mais de uma vez.
Na loja, que durante os anos perdeu um dos sócios (o S, da sigla), ele era o comprador.
Certa vez, um comerciante, que havia recebido dicas importantes de Orlandinho para abrir sua distribuidora em Curitiba, o aconselhou a investir na compra de um novo pirulito que estava chegando ao mercado. Naquela época, na década de 1990, a capital paranaense era referência para testagem de marcas.
“Ele fez uma grande aposta, mas, a princípio, não deu certo, não vendeu. Porém, insistiu e quando [o doce] começou a fazer sucesso, só meu pai tinha. Virou a chave da GTS”, diz o filho Orlando Neto.
Foi a partir de seu trabalho que formou família. Na década de 1980, conta a filha Janaína, foi fazer entrega em um supermercado. Lá conheceu Fátima, promotora de produtos. Casaram-se em 1984.
Se não teve muito estudo —cursou até a quinta série do antigo primário—, fez questão de ver os três filhos formados na faculdade.
Orlandinho tinha uma vida social intensa e estava sempre rodeado de amigos. Num domingo pela manhã ia à missa, ao velório e a inúmeros bares. Nem ficava muito tempo para conseguir percorrer o maior número de lugares.
Com seu jeitão simples, não demonstrava grandes ambições. E costumava ajudar as pessoas.
Os seis netos eram seu xodó. Em maio de 2023, comprou uma caminhonete e colocou todos na caçamba para uma foto.
Dois meses depois, em um sábado, após o trabalho e sua “via sacra” com os amigos, caiu em uma escada em casa. Bateu a cabeça e necessitou de cem dias de internação. As sequelas ficaram.
Orlando Gazzola Júnior morreu no último dia 23 de janeiro, aos 77 anos. Deixou a mulher, Fátima, os filhos, Janaína, Orlando Neto e Gabriel, além dos netos, Luiza, Beatriz, Valentina, Caetano, Giovana e Arthur.
Autor: Folha








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