As autoridades suíças anunciaram o início de uma investigação penal contra os dois gerentes franceses do bar na estação de esqui suíça onde um incêndio matou mais de 40 pessoas que celebravam o Ano-Novo.
“Eles são acusados de homicídio culposo, lesão corporal por negligência e incêndio por negligência”, afirmaram a polícia e o Ministério Público do cantão suíço de Wallis, no sudoeste do país, em um comunicado divulgado no sábado (3).
A polícia identificou, até este domingo (4), corpos de 24 pessoas, entre elas 11 adolescentes e seis estrangeiros, vítimas do incêndio na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça.
As autoridades do Cantão do Valais indicaram que foram identificadas quatro mulheres e seis homens suíços de 14 a 31 anos, dois italianos de 16 anos, um francês de 39 anos, uma pessoa com dupla nacionalidade italiana e emiradense de 16 anos, um romeno de 18 anos e um turco de 18 anos.
A polícia já havia anunciado no sábado a identificação de oito suíços, totalizando 24 identidades confirmadas. Vários pacientes com queimaduras graves foram transferidos para hospitais da França, Bélgica, Alemanha e Itália.
O incidente em uma festa de Ano-Novo no bar Le Constellation matou 47 pessoas e feriu 119, vários em estado grave.
Neste domingo, uma missa em memória das vítimas foi seguida de uma marcha silenciosa, na qual participaram centenas de pessoas em Crans-Montana, até a capela instalada perto do local da tragédia.
“Estamos aqui para dizer que perante o indizível, a brutalidade da morte e do sofrimento, não queremos fechar os olhos. Estamos aqui para expressar nossa compaixão, nossa proximidade”, declarou o pastor Gilles Cavin na igreja lotada.
Apesar das temperaturas que baixaram aos -9°C, centenas de pessoas permaneceram fora do templo, situado a cerca de 300 metros do bar, algumas com flores na mão.
O incêndio aconteceu no subsolo do bar, um local frequentado por turistas, muitos jovens, que celebravam o Ano Novo. Segundo a promotora Béatrice Pilloud, tudo indica que o fogo se originou por fogos ou velas colocadas sobre garrafas de champanhe, perto demais do teto.
De acordo com testemunhas, o teto do porão estava coberto de espuma acústica isolante, o que segundo as autoridades explicaria o “incêndio rápido e generalizado”.
Pilloud afirmou ainda que a investigação examina se a espuma estava de acordo com a regulamentação, se a instalação dela havia sido autorizada e se ela influenciou a rápida propagação do fogo.
A investigação penal contra os gerentes tem como foco as obras realizadas no porão em 2015, os materiais utilizados, as autorizações e as medidas de segurança. Ao término da instrução, o Ministério Público decidirá se arquiva o caso ou se emite uma acusação que poderá levar a um julgamento.
Enquanto isso, os gerentes não foram objeto de nenhuma medida de prisão provisória ou domiciliar, confirmou à agência de notícias AFP um porta-voz da polícia regional.
Testemunhas descreveram cenas de horror, com pessoas tentando quebrar as janelas para escapar enquanto outras, cobertas de queimaduras, precipitavam-se para a rua.
Um vídeo nas redes sociais mostra o início do incêndio no teto, com um jovem que tenta apagar o fogo com um grande pano branco. Ao seu lado, outros jovens gravam a cena mas continuam dançando.
Além das queimaduras, algumas vítimas sofreram esmagamentos e asfixia, enquanto outras ficaram feridas ao tentar salvar outras pessoas, informou à AFP o diretor geral do Hospital de Valais, Eric Bonvin.
Jacques Moretti, um dos donos do bar, afirmou à imprensa suíça e italiana que reformas no local foram realizadas consoantes à regulação. Segundo ele, que comprou o bar com a esposa em 2015, o local foi inspecionado não anualmente, mas três vezes nos últimos dez anos.
O incêndio foi lembrado no Brasil pela semelhança com a tragédia da boate Kiss, em 2013, em Santa Maria (RS), quando 242 pessoas morreram após o uso de artefatos pirotécnicos em show no local incendiar o teto, cujo material contribuiu para alastrar o fogo rapidamente e exalou fumaça tóxica.





