
Mais um nome próximo do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou, o que aumenta a pressão sobre o premiê trabalhista, cuja reprovação atinge altos níveis.
Tim Allan, diretor de Comunicação de Starmer, anunciou nesta segunda-feira (9) que deixa o cargo “para permitir que se construa uma nova equipe em Downing Street”, o que representa a segunda demissão após a crise relacionada ao ex-embaixador Peter Mandelson e o financista americano Jeffrey Epstein, que se suicidou na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores.
Starmer está em processo de recomposição de seu círculo direto depois que seu chefe de gabinete e principal assessor, Morgan McSweeney, renunciou no domingo (8).
McSweeney admitiu que havia recomendado a nomeação, em fevereiro de 2025, de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos. Mandelson foi destituído em setembro, após a revelação da extensão de seus vínculos com Epstein.
Embora a saída de McSweeney, braço direito do primeiro-ministro, tenha sido bem recebida por alguns trabalhistas que criticavam sua influência excessiva, deputados de todos os partidos apontam que é o chefe do governo quem deveria assumir a responsabilidade final pela designação de Mandelson.
Na semana passada, Starmer admitiu que tinha conhecimento das ligações de Mandelson com Epstein quando o indicou para o cargo diplomático em Washington, mas alegou que o aliado “mentiu” sobre a “extensão” desse relacionamento.
Nesta segunda-feira, Anas Sarwar, líder do Partido Trabalhista Escocês, pediu a renúncia de Starmer. “A distração precisa acabar e a liderança em Downing Street precisa mudar”, disse Sarwar em uma entrevista coletiva em Glasgow, segundo informações do jornal The Guardian.
A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, declarou nesta segunda-feira que a posição de Starmer é “insustentável”, enquanto o primeiro-ministro do governo da Escócia, John Swinney, do Partido Nacional Escocês, disse que o episódio demonstra “sua fraqueza” como líder.
Segundo pesquisa divulgada pelo instituto YouGov em janeiro, apenas 18% dos britânicos tinham uma opinião favorável de Keir Starmer, enquanto 75% tinham uma visão desfavorável do primeiro-ministro.
A taxa de aprovação líquida do trabalhista, de -57, foi a mais negativa de um premiê britânico desde que seu antecessor, o conservador Rishi Sunak, atingiu o mesmo patamar em junho de 2024.
Em apoio ao primeiro-ministro, a secretária de Estado de Igualdade, Jacqui Smith, garantiu à emissora BBC que Starmer “está determinado” a terminar seu mandato, após chegar ao poder com maioria absoluta nas eleições de julho de 2024.
Outros secretários do governo trabalhista, como Yvette Cooper, da pasta de Relações Exteriores, defenderam o premiê nesta segunda-feira.
“No final desta semana, Keir Starmer liderará nossa delegação na Conferência de Segurança de Munique. Neste momento crucial para o mundo, precisamos de sua liderança não apenas em nosso país, mas também no cenário global, e precisamos manter o foco onde realmente importa: em manter a segurança da nossa nação”, alegou.
Autor: Gazeta do Povo








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