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GPA e Raízen sinalizam onda de reestruturações no Brasil, avalia especialista

Os pedidos de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e da Raízen podem ser o início de uma série de pedidos de reestruturação de empresas como a Braskem, a Oncoclínicas e a Companhia Siderúrgica Nacional. A avaliação é do especialista em reestruturação de empresas Max Mustrangi.

Nesta quarta-feira (11), o Pão de Açúcar obteve o aval da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo para executar o seu plano de recuperação extrajudicial. A empresa enfrenta um endividamento de aproximadamente R$ 4,5 bilhões e, com a medida, pretende reagir aos impactos da taxa de juros no país, fixada em 15% ao ano.

Já a Raízen enfrenta um problema maior, entrando para a história com o maior caso de recuperação extrajudicial do país, de acordo com o Observatório Brasileiro de Recuperação Judicial (Obre). As obrigações estão estimadas em R$ 65,1 bilhões.

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  • O que é recuperação extrajudicial, usada por GPA e Raízen para enfrentar crise

Mustrangi lembra que o pedido da Raízen cobre apenas 50% da dívida, enquanto o caso do Pão de Açúcar contempla 80% das obrigações em aberto. “Por mais que os bancos tenham mais flexibilidade, a Raízen ainda precisa do aval de uma parte significativa de debenturistas, bondholders, detentores de títulos de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), que já perderam muito dinheiro com a companhia, e não estão nada felizes”, complementa.

No pregão desta sexta-feira (13), a Braskem enfrentou uma queda de 6,97% no preço das ações, terminando cotadas a R$ 11,35. Em meio à maior crise de sua história, porém, a petroquímica recebeu o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que a Novonor, sua principal controladora, transfira seus direitos ao fundo IG4.

Já a Oncoclínicas enfrenta uma crise de imagem por ter entre seus sócios, desde 2024, o Banco Master. A empresa de Daniel Vorcaro chegou a controlar 15% da companhia. Houve também aplicações de R$ 450 milhões da Oncoclínicas em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master. A dívida é estimada em R$ 4,8 bilhões.

A Companhia Siderúrgica Nacional enfrenta uma situação mais grave: a dívida líquida beira os R$ 40 bilhões. A alta do dólar no contexto da pandemia foi responsável por boa parte do crescimento das obrigações. As ações, que já chegaram à marca dos R$ 50, hoje estão cotadas a R$ 5,72 (CSNA3).

A Gazeta do Povo entrou em contato com as empresas citadas e o espaço segue aberto para manifestação.

Autor: Gazeta do Povo

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