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Graham Bell: a história da primeira chamada telefônica – 12/03/2026 – Ciência

“Sr. Watson, venha cá. Quero vê-lo”. Meia dúzia de palavras dificilmente memoráveis em português, mas com implicações enormes.

Proferidas pelo escocês Alexander Graham Bell em seu laboratório em Boston, em 10 de março de 1876, foram as primeiras palavras inteligíveis a serem transmitidas eletricamente por um fio de um lugar para outro. Com isso, começou a era do telefone.

Thomas Watson, assistente de Bell, recebeu essa ligação não muito longe, na sala ao lado, mas as ambições de Bell iam muito além. O professor de fisiologia vocal de 29 anos da Universidade de Boston tinha certeza de que havia inventado uma tecnologia que mudaria a história. Agora, ele só precisava convencer o resto do mundo.

Bell vinha trabalhando no projeto de um “telégrafo harmônico”, como ele o chamava, há vários anos. Originalmente, o aparelho foi concebido como uma forma de enviar várias mensagens telegráficas simultaneamente pelo mesmo cabo.

Mas Bell não foi o único a ter essa ideia. O engenheiro elétrico americano Elisha Grey estava trabalhando em algo semelhante, e os dois homens apresentaram reservas de patente –um aviso de sua intenção de depositar um pedido completo– com uma diferença de uma hora entre um e outro, em 14 de fevereiro de 1876. Seguiu-se uma comunicação frenética entre Bell, em Boston, e seu agente em Washington DC para garantir que os pedidos não se sobrepusessem.

A patente de Bell (US174465A) foi finalmente emitida em 7 de março. Três dias depois, ele fez história ao pronunciar aquelas palavras simples. Grey abandonou sua reserva de patente, e suas tentativas futuras de contestar a patente de Bell fracassaram no tribunal.

Como funcionava o telefone de Bell

A chave para essa nova tecnologia telefônica foi desenvolver uma maneira de transformar as oscilações acústicas geradas pela voz humana em oscilações elétricas que pudessem ser transmitidas por um cabo telegráfico. (Nessa época, cabos submarinos já conectavam a Irlanda à América do Norte e a Inglaterra à Europa continental.)

Bell e seu assistente Watson já haviam demonstrado que sons bastante complexos, como notas musicais, podiam ser transmitidos eletricamente. Em 1875, eles construíram um transmissor feito de pergaminho esticado como a pele de um tambor, com um pedaço de ferro magnetizado preso que podia se mover entre os polos de um eletroímã.

O som fazia o pergaminho vibrar. Isso, por sua vez, fazia o pedaço de ferro se mover para frente e para trás entre os polos do eletroímã, criando uma corrente oscilante que podia ser transformada de volta em som com um aparelho semelhante na outra extremidade.

Essa foi a tecnologia que Bell patenteou em 7 de março de 1876. Mas não foi a tecnologia que ele usou em sua primeira demonstração três dias depois. Na verdade, suas palavras foram transmitidas usando um transmissor líquido cheio de água acidificada que conduzia eletricidade.

O dispositivo era semelhante aos que Grey vinha usando. Esse fato causou alguma controvérsia quando veio a público, fazendo parte das tentativas de Grey de contestar a patente de Bell. Ainda hoje, às vezes se afirma que Grey, e não Bell, foi o verdadeiro inventor do telefone.

Mas Bell não voltou a utilizar o transmissor líquido nas suas experiências –era difícil ver como essa estrutura poderia ser transformada em um produto comercial. E, nos primeiros meses após a demonstração, o telefone parecia não ter qualquer futuro.

Todos concordavam que era um dispositivo maravilhoso e engenhoso –mas para que servia, exatamente? Não era concorrência para o telégrafo. Afinal, para quem se iria ligar?

Vendedor e showman

Quando o novo dispositivo de Bell foi exibido na Exposição Centenária da Filadélfia em 1876, ele ficou praticamente perdido no meio da multidão de expositores –embora o então imperador do Brasil, Dom Pedro 2º, tenha exclamado: “Meu Deus, ele fala!”.

Mas dois dos juízes, os cientistas Joseph Henry e William Thomson, concederam a Bell uma das cobiçadas medalhas da exposição. Thomson, nascido na Irlanda –o primeiro cientista a ser elevado à Câmara Alta do Parlamento Britânico como Lord Kelvin– mais tarde contaria aos cientistas de seu país sobre “a coisa mais maravilhosa da América… a maior de todas as maravilhas do telégrafo elétrico se deve a um jovem compatriota nosso, o sr. Graham Bell”.

Enquanto isso, Bell trabalhava arduamente para vender sua invenção. Como todos os inventores vitorianos, ele também precisava ser um showman. Em uma apresentação em Salem, Massachusetts, em fevereiro de 1877, ele usou o telefone para se comunicar com seu assistente Watson, que estava longe, em Boston.

Primeiro, eles tocaram o código Morse pela linha em notas musicais, e “o público explodiu em aplausos”, de acordo com relatos. Em seguida, um “órgão telefônico” em Boston tocou as músicas “Auld Lang Syne” e “Yankee Doodle” para o público extasiado de Salem.

Em Londres, fios foram instalados entre teatros para permitir um “concerto telefônico, no qual o público de um teatro ouviria a música tocada no outro”.

É claro que tudo isso custou dinheiro, e Bell tinha investidores para apoiá-lo —incluindo seu futuro sogro Gardiner Greene Hubbard, um rico advogado e financista americano e fundador da National Geographic Society. Em 1877, eles formalizaram a transformação da Bell Patent Association em uma sociedade por ações, a Bell Telephone Company, para desenvolver as possibilidades comerciais da invenção de Bell.

Logo eles estavam fabricando equipamentos telefônicos com o design de Bell e, dois anos depois, fundaram a International Bell Telephone Company para comercializar os equipamentos na Europa. Em 1885, ela se tornaria a American Telephone and Telegraph Company, mais conhecida hoje como AT&T.

Em um nível mais individual, Bell fez fortuna, enquanto seu rival Grey foi relegado a uma nota de rodapé na história das tecnologias elétricas.

Na virada do século 20, o telefone havia encontrado seu lugar como um acessório essencial para famílias prósperas da classe média nos Estados Unidos e na Europa, e uma ferramenta importante para empresários.

Ele também se tornou um ingrediente vital na emocionante mistura de ideias e invenções que os vitorianos dos dois lados do Atlântico usavam para imaginar seu futuro tecnológico.

Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original

Autor: Folha

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