
Milhares de pessoas foram às ruas da Dinamarca e da Groenlândia neste sábado (17) para protestar contra as ambições territoriais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As manifestações responderam a convocações feitas por ONGs nas redes sociais.
Na sexta-feira (16), Trump ameaçou impor tarifas a países que não apoiarem seu plano de assumir o controle do território autônomo no Ártico.
Sob céu cinzento e temperaturas próximas de 0°C, manifestantes ocuparam a praça da prefeitura de Copenhague. Eles levaram bandeiras da Dinamarca e da Groenlândia. O grupo entoou o nome da ilha em groenlandês, “Kalaallit Nunaat”.
Cartazes exibiam mensagens em inglês, como “Make America Go Away” (faça a América ir embora), em referência ao slogan “Make America Great Again” (faça a América grande novamente).
A mobilização foi organizada pela Organização Nacional dos Groenlandeses na Dinamarca (Uagut), pelo movimento cidadão “Não toquem na Groenlândia” e pelo Inuit, que reúne associações locais.
Os principais atos ocorreram em Copenhague e em Nuuk, capital da Groenlândia. Houve protestos também em Aarhus, Aalborg e Odense.
“Exigimos o respeito ao direito de nosso país à autodeterminação e ao nosso povo. Exigimos o respeito ao direito internacional e aos princípios jurídicos internacionais. Esta não é apenas a nossa luta, é uma luta que diz respeito ao mundo inteiro”, declarou Avijâja Rosing-Olsen, organizadora dos atos.
Dinamarca convida Estados Unidos para exercícios na Groenlândia
Pesquisa divulgada em janeiro de 2025 pelo instituto groenlandês HS Analyse aponta que 85% da população rejeita a anexação pelos Estados Unidos. Apenas 6% se dizem favoráveis.
Em paralelo, França, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega e Finlândia anunciaram o envio de militares para uma missão de reconhecimento no exercício dinamarquês “Arctic Endurance”, realizado com aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Os Estados Unidos também foram convidados a participar de exercícios militares na Groenlândia, segundo o chefe do Comando Ártico da Dinamarca, Søren Andersen. Ele afirmou que as atividades incluem a presença da Rússia.
Trump sustenta que a compra da Groenlândia atende a interesses de segurança nacional. Ele afirma que há navios russos e chineses na região.
Autor: Gazeta do Povo





