O grupo de mídia da família Trump concordou em se unir à empresa de energia de fusão TAE Technologies, apoiada pelo Google, em um acordo avaliado em US$ 6 bilhões (R$ 33 bilhões), representando uma aposta na energia nuclear para impulsionar o boom da inteligência artificial.
O acordo em ações combinará o acesso ao capital da Trump Media & Technology Group com a tecnologia de fusão da TAE em um esforço para atender às crescentes demandas de energia por IA, disseram os dois grupos nesta quinta-feira (18).
O incomum acordo destaca a natureza mutável das negociações nos EUA sob o governo de Donald Trump. Ele reúne duas indústrias raramente vistas na mesma mesa: a Trump Media, construída sobre política online de tendência conservadora, e uma empresa de fusão apoiada pelo Google, enraizada na aposta de longo prazo do Vale do Silício em tecnologia de energia inovadora.
O grupo combinado planeja iniciar a construção do que descreveram como a primeira usina de energia de fusão em escala comercial do mundo em 2026. Inicialmente será uma instalação de 50 MW (Megawatt) e posteriormente de até 500 MW.
Trump assinou quatro decretos em maio para revitalizar a indústria nuclear dos EUA e acelerar a construção de reatores. A medida impulsionou as ações de energia nuclear dos EUA a níveis recordes.
Algumas pessoas envolvidas na negociação estão apresentando o acordo como uma forma de acelerar a capacidade da TAE Technologies de desenvolver suas tecnologias de energia de fusão, dadas as conexões políticas da TMTG, de acordo com uma pessoa informada sobre o acordo.
A TAE arrecadou cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 7,2 bilhões) de investidores, incluindo Google e Chevron, em meio ao crescente interesse de grupos de tecnologia que buscam energia de longo prazo e livre de carbono para usos intensivos em energia, como centros de dados.
Os acionistas das duas empresas possuirão cada um 50% do novo grupo combinado. Donald Trump Jr. servirá no conselho da nova entidade.
As ações da TMTG, que é controlada pela família do presidente dos EUA, Donald Trump, subiram 33% nas negociações da manhã após o anúncio, dando ao grupo um valor de mercado de cerca de US$ 3,8 bilhões.
Ainda assim, os papéis da TMTG acumulam queda de quase 70% no último ano.
A fusão é o exemplo mais recente da estratégia empresarial dispersa da TMTG, que tem se concentrado em áreas de política pública promovidas pelo governo Trump.
No início deste ano, a TMTG arrecadou US$ 2,5 bilhões para financiar um tesouro de bitcoin destinada à compra da criptomoeda, além de estabelecer uma parceria estratégica com a Crypto.com, aproveitando a onda de entusiasmo gerada pela postura pró-cripto do governo .
“A fusão ainda é pré-comercial, intensiva em capital, de longo prazo e tecnicamente incerta”, afirmou o diretor-executivo de um grupo de investimentos que apoia a Fermi, empresa americana do setor imobiliário de data centers.
“Empacotar isso em um veículo de capital aberto com a marca Trump parece menos uma combinação industrial pura e mais um movimento de mercado de capitais, um atalho para liquidez, visibilidade e proteção política”, acrescentou.
Os últimos resultados trimestrais da TMTG mostraram que a empresa tinha US$ 166 milhões (R$ 916,6 mi) em dinheiro e equivalentes de caixa e prejuízo líquido de US$ 54,8 milhões (R$ 302,6 mi) no terceiro trimestre deste ano.
Em referência a uma expressão usada por Jamie Dimon para descrever as finanças do JPMorgan, o CEO da TAE, Michl Binderbauer, elogiou o “balanço de fortaleza” da TMTG durante uma teleconferência com investidores na manhã desta quinta, afirmando que ele impulsionará a empresa resultante da fusão até alcançar a “primeira geração de energia em 2031”.
A TMTG é assessorada pela Yorkville Advisors, uma empresa até então pouco conhecida que chegou no centro de uma série de negócios ligados a Trump no setor cripto este ano, surfando o boom de ativos digitais incentivado pelo governo.
Devin Nunes, presidente do conselho e CEO da TMTG, afirmou que o acordo permitirá à empresa “dar um grande passo em direção a uma tecnologia revolucionária que consolidará a dominância energética global dos EUA por gerações”.
No início de dezembro, a TAE Technologies anunciou uma joint venture com a Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido para comercializar elementos de sua tecnologia de fusão tanto para geração de energia quanto para usos não energéticos, incluindo aplicações médicas. Apoiada por um aporte de 5,6 milhões de libras (R$ 41,3 mi) do laboratório atômico do governo britânico, a iniciativa, sediada em Oxfordshire, pretende entregar seus primeiros produtos em 2027.
À época, o secretário britânico de Negócios, Peter Kyle, disse que o acordo reforçava a posição do país “no coração da cadeia internacional de suprimentos de fusão”.
“Essa parceria histórica mostra nosso Acordo de Prosperidade Tecnológica com os EUA em ação e demonstra nossa ambição compartilhada de liderar a corrida global por energia de fusão limpa e segura”, afirmou Kyle
Com reportagem adicional de Ryohtaroh Satoh





