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Grupo se organiza para levar só mulheres para as montanhas – 04/03/2026 – É Logo Ali

Que a presença de mulheres na montanha ainda é minoritária no Brasil não chega a ser novidade. No último censo da Abee (Associação Brasileira de Escalada Esportiva), com dados de 2023, 67,3% dos praticantes eram homens. Mas, de lá para cá, um número cada vez maior de mulheres insiste em disputar espaço nesse meio não raro tóxico e misógino, que ainda nos vê como o tal sexo frágil.

Entre os grupos que se dedicam a mudar essas estatísticas, o Mulheres e Montanhas faz um trabalho diferenciado que une o esporte ao autoconhecimento —mas longe das bobagens coachistas de certos influencers, ou do discurso salvacionista de grupos como o Legendários e seus sucedâneos.

Segundo Amanda Alvernaz, uma das idealizadoras do grupo, o Mulheres e Montanhas surgiu da experiência própria de transformação pessoal “e pela vontade de levar isso para mais mulheres não só como ferramenta de transformação pessoal, mas de promoção de uma vida mais sustentável, mais equilibrada e em conexão com a natureza”.

O projeto nasceu em 2019 das conversas entre amigas —além de Amanda, Anna Gonçalves e Bia Haneda, que hoje ainda estão no grupo, ao qual se somaram Kellyns Cristina e Joanna Dorini— que queriam ir para as montanhas “de forma autônoma, independente”. “No começo, íamos para as montanhas e fazíamos pequenos documentários sobre nossa experiência, mas também sobre mulheres que encontrávamos pelo caminho”. Das histórias ouvidas e das experiências absorvidas nasceu a ideia de levar outras mulheres para essa vivência.

Em 2021, começaram a formatar os grupos, que são divididos entre jornadas técnicas, em que são passados conhecimentos de escalada e montanhismo, e expedições mais ou menos longas. “Nós focamos o cunho educacional, para as mulheres aprenderem mais sobre montanhismo e viverem esse ambiente com mais segurança e autonomia”, explica Amanda.

O grupo oferece três opções de atividades. Há as Jornadas Imersivas, “voltadas para o autoconhecimento, em diversos níveis de desenvolvimento e dificuldades” que visam “proporcionar momentos de reflexão e amadurecimento do ser, pelas práticas do montanhismo consciente”.
Outra opção são as Jornadas Técnicas, que, por meio de vivências práticas, buscam apresentar os processos “que determinam uma experiência outdoor segura, contemplativa, educativa, regenerativa e evolutiva”.

E a terceira e mais exigente alternativa, as Jornadas Internacionais, levam as mulheres para vivências na Cordilheira dos Andes, que além de aperfeiçoar técnicas de alta montanha e ambientes nevados, permitem intercâmbio de culturas e aprendizados com guias e montanhistas locais.

O valor cobrado depende do local e da duração de cada atividade. e é detalhado no site. Um dos detalhes que fazem toda a diferença na dinâmica do Mulheres e Montanhas é que, para quem quer iniciar sua vida pelas trilhas, mas não tem o devido preparo físico para carregar uma mochila com todo o equipamento de acampamento e escalada, são oferecidos serviços de carregadoras. Os grupos são pequenos, no máximo 10 participantes, divididas entre autônomas e aprendizes. A capacidade de cada uma, seus limites e experiências são detalhadas em um formulário que orienta a participação em cada atividade.

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Autor: Folha

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