A guerra no Irã, iniciada por Israel e os Estados Unidos no dia 28 de fevereiro, já resultou em ao menos 15 ataques contra navios comerciais na região dos golfos Pérsico e de Omã e no estreito de Hormuz, um dos mais importantes canais de escoamento de petróleo do mundo.
Os dados são do UKMTO, o centro de comando marítimo do Reino Unido. Além dos ataques reportados entre 1º de março e esta quinta-feira (12), há relatos de ao menos quatro “atividades suspeitas” sendo investigadas.
Os navios atingidos incluem petroleiros, navios que carregam contêineres e mercadorias, conhecidos como graneleiros, além de navios-tanque e um rebocador.
As embarcações navegavam com bandeiras de vários países, incluindo as do Japão, das Ilhas Marshall, das Bahamas e da Libéria. Um navio-tanque com bandeira dos Estados Unidos foi atingido no início do conflito, enquanto estava atracado ao porto de Manama, capital do Bahrein.
O número total deve ser maior, já que há casos que foram anunciados por Estados, mas não estão contabilizados pelo UKMTO.
O Irã vem apliuando ampliou ações visando criar o caos no setor de petróleo. Sem condições de triunfar militarmente, Teerã aposta em resistir e gerar pressão econômica sobre Trump.
Em seu primeiro discurso, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, adotou um tom desafiador após assumir o lugar do pai, Ali, morto no primeiro dia da guerra. Mojtaba, 56, disse que suas forças continuarão fechando na prática o estreito de Hormuz.
A disrupção do tráfego marítimo na rota de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito é o efeito colateral mais agudo da guerra. O Irã conta com esse efeito sobre o mercado, ainda que ele mesmo seja prejudicado pois perde seu único grande cliente no ambiente de sanções, a China, que compra quase todo seu óleo.
Nesta quinta, o barril referencial Brent chegou a ultrapassar os US$ 100, algo que só havia ocorrido no começo da semana. Na véspera, o Irã disse que o mundo devia se preparar para um barril de US$ 200, e parece disposto a cumprir a ameaça.
Autor: Folha



















