sábado, dezembro 27, 2025

Hopi Hari sai de recuperação judicial após 9 anos – 12/12/2025 – Mercado

O parque de diversões Hopi Hari encerrou sua recuperação judicial após nove anos. O juiz Fábio Marcelo Holanda, da comarca de Vinhedo (SP), onde fica a sede do parque, decretou o fim do processo em setembro, com manifestações favoráveis da administradora judicial e do Ministério Público de São Paulo.

A decisão menciona que as obrigações vencidas entre 2022 e 2024 foram cumpridas regularmente, com apresentação de relatórios mensais, pagamentos aos credores e manutenção da regularidade fiscal.

A sentença foi proferida apesar de pendências relacionadas aos índices de correção sobre pagamentos de credores. Segundo o documento, a Lei de Recuperação Judicial permite o encerramento mesmo quando ainda há contestações ou habilitações de crédito em curso.

Procurado para comentar o desfecho do processo, o Hopi Hari não respondeu até a publicação deste texto.

O parque entrou com pedido de recuperação judicial em agosto de 2016, após ver sua situação financeira se deteriorar e ser acusada de atrasar pagamentos de salários, 13º e convênio médico.

Em 2021, o grupo firmou um acordo de US$ 500 milhões para reestruturação, expansão e desenvolvimento do parque de diversões. O contrato contemplava obrigações com credores e incluía o planejamento de novas atrações e projetos imobiliários nos terrenos do parque, em Vinhedo (SP).

No mesmo ano, reportagem da Folha mostrou que os parques Beto Carrero World e Playcenter se uniram para apresentar uma proposta de compra do Hopi Hari. A oferta foi contestada e não avançou.

Em 2022, o plano de recuperação judicial foi aprovado em assembleia que contou com a participação de BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), SLW, Prevhab e Mirai, que juntos detinham cerca de 90% da dívida.

O plano previa o compromisso de o principal acionista, o fundo de private equity Brooklyn Investimentos —dono de 74% do parque— investir R$ 150 milhões entre 2022 e 2026 na expansão e modernização do empreendimento.

O parque foi inaugurado em 1999, com participação da GP Investimentos e dos fundos de pensão Funcef, Petros, Sistel e Previ. Nos anos 2010, o Hopi Hari era o parque mais visitado do país, com quase 2 milhões de visitantes por ano, ficando à frente dos concorrentes Beto Carrero, em Santa Catarina, e Playcenter, em São Paulo.

Especialistas consultados pela Folha dizem que o fim da recuperação judicial seguiu o trâmite convencional. “O critério para verificar se a empresa está cumprindo o que foi obrigada durante o período de supervisão —e também depois dele— parte do próprio plano de recuperação judicial aprovado e homologado”, diz Daniel Vilas Boas, sócio do VLF Advogado.

Segundo ele, profissionais são nomeados para supervisionar a empresa e conferir se ela está efetivamente cumprindo o plano. “Se estiver tudo em ordem, o juiz profere a decisão de encerramento.”

Na avaliação da advogada Lígia Martins Cherubini Gonçalves, do Henneberg Ferreira Marques Advogados, a decisão devolve autonomia à empresa. “A partir desse marco, as relações jurídicas retornam ao regime normal: o que foi quitado fica extinto, e eventuais obrigações seguem sendo cumpridas conforme as condições estabelecidas no plano. É uma comprovação de que a empresa está operando de forma saudável e transparente”, afirma.

Segundo ela, o parque também volta a ter liberdade para contratar novos créditos e negociar prazos sem depender de autorizações judiciais.

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