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IA se mudou para dentro do computador – 15/03/2026 – Ronaldo Lemos

Peter Steinberger nasceu em uma área rural da Áustria. Aos 14 anos, se interessou por computadores e mais tarde decidiu estudar computação. Em 2011, virou noites programando e criou um software que teve um relativo sucesso, o PSPDFKit, usado para editar PDFs.

Em novembro de 2025, ele criou outro software que sacudiu o mundo, trazendo um novo paradigma para a inteligência artificial. Ele é o criador do ClawdBot (agora OpenClaw), que levou a inteligência artificial para dentro do computador. A OpenAI acaba de contratá-lo.

O OpenClaw é um agente de IA de código aberto que roda no computador do usuário. Ele não é apenas um chatbot que conversa. Ele executa tarefas. Navega na internet, lê arquivos e mexe sozinho nos aplicativos do computador.

A história é sintomática de algo maior. A inteligência artificial está migrando: seu lugar de acesso não é mais um site ou um aplicativo. Ela está agora sendo usada dentro do computador (e, em breve, do celular). É como se fosse um assistente de trabalho dentro da máquina, com acesso aos seus arquivos e à sua rotina, que faz coisas por você.

Em paralelo ao OpenClaw, a Anthropic lançou o Claude Cowork em fevereiro de 2026. O impacto foi imediato. As ações do mercado de software corporativo caíram US$ 285 bilhões.

A razão é a percepção de que várias das tarefas corporativas agora podem ser feitas por um agente de IA instalado na máquina: operar planilhas, fazer apresentações e escrever textos. E mais: ler emails, marcar reuniões, gerir CRM, programar, lidar com fluxo financeiro e contábil e mais.

A Microsoft não ficou parada. No dia 9 de março lançou o Copilot Cowork. É de esperar que outras empresas sigam o mesmo caminho.

Outra mudança trazida pelo OpenClaw foi o surgimento da rede “social” de agentes de IA chamada Moltbook, criada por dois outros empreendedores. Nela, só agentes de IA podem postar. Humanos só observam (e fingem ser robôs para poder postar também).

O que parecia ser apenas fogo de palha teve consequências reais. A Meta comprou o Moltbook no dia 10 de março. O que faz todo sentido, já que ele revoluciona a ideia de redes sociais, especialidade da empresa.

A mudança é profunda. Usar um computador desde os anos 1960 significava operar programas. Abrir, digitar, salvar, executar. Só que a IA agêntica muda essa lógica. Você diz o que quer e o agente faz por você. Vale notar que o próprio Moltbook foi criado assim. Seus fundadores não “programaram” seu código diretamente. Eles tiveram a ideia e pediram para IA programar por eles, tudo em apenas um fim de semana.

Isso traz lições importantes para o Brasil. Incluindo várias sobre as quais já falei em colunas anteriores. Mas, mais do que nunca, o país precisa desenvolver suas próprias capacidades em IA, para não ficar refém.

Além disso, há uma pressão enorme de adaptação rápida, para não ficar para trás. O OpenClaw foi criado por um programador que queria facilitar a edição de PDFs. Anos depois, ele mudou o paradigma da IA. Quem não entender a dimensão dessa mudança vai ficar editando PDFs para sempre.

READER

Já era Usar o computador abrindo um programa de cada vez

Já é Agentes de IA operando seu computador enquanto você faz outras coisas

Já vem Redes sociais em que só máquinas participam (e humanos fingem ser robôs)


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Autor: Folha

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