Os sinos ecoam há mais de trezentos anos no centro de Curitiba. O som parte da Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, na Praça Tiradentes, e se soma aos toques da igreja do Senhor Bom Jesus dos Perdões, na praça Rui Barbosa, e da igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas. Três edifícios que funcionam como marcos de fé e organização social.
O mais antigo desses templos é a Ordem Terceira de São Francisco das Chagas, segundo o arquiteto especialista em artes sacras, Tobias Bonk Machado. “Antes de Curitiba receber esse nome, uma pequena gruta de pedra atendia à vida religiosa dos primeiros moradores. Com o crescimento da população, o espaço deu lugar à Capela do Terço, onde os franciscanos permaneceram por anos. Os frades terminaram a construção da igreja por volta de 1737”, conta o arquiteto.
De acordo com o Machado, no fim do século XIX, o prédio passou por reforma para a visita do imperador Dom Pedro II. A intervenção substituiu traços luso-brasileiros por elementos neogóticos. “Dom Pedro II doou algumas peças à igreja, como os lustres de ouro e cristais, que ainda ornamentam o teto do templo. Já no fim da década de 1970, uma nova obra restaurou as características originais”, explica o arquiteto.
Catedral reúne arquitetura neogótica e relíquia de São João Paulo II
Já a Catedral Basílica Menor teve a construção do atual templo iniciada em 1876. O cronograma inicial previa três anos. A obra terminou em 1893. O edifício substituiu duas estruturas anteriores erguidas no mesmo local, desde o período colonial.
O projeto arquitetônico segue o estilo neogótico, com autoria atribuída ao francês Alphonse Conde des Plas, e possíveis alterações do italiano Luigi Pucci. A estrutura possui duas torres de 42 metros de altura e vitrais que permitem a entrada de luz no interior do edifício.
“O estilo neogótico retoma o gótico medieval e se caracteriza pelo uso do arco ogival, que distribui melhor o peso da estrutura e transfere parte da carga para elementos externos. Essa solução permite paredes mais leves, grandes vitrais e maior entrada de luz natural, marca central do estilo”, explica o mediador de visitas da basílica, o historiador Gabriel Forgati.
De acordo com a administração da Basílica Menor, a igreja tem capacidade para cerca de 480 pessoas sentadas e a última restauração no prédio foi concluída em 2012. Um dos símbolos mais visitados é uma relíquia de São João Paulo II. A cadeira usada pelos bispos nas celebrações, chamada de cátedra, foi usada pelo papa em seis de julho de 1980, em uma missa que reuniu mais de 700 mil pessoas na praça Nossa Senhora da Salette, no Centro Cívico.
“O móvel integra um conjunto produzido entre as décadas de 1930 e 1940, em Curitiba, com madeira de imbuia. Além de marcar a sede do Arcebispo, é uma relíquia por ter sido usada por São João Paulo II”, detalha o historiador.

Bom Jesus dos Perdões abriga sinos alemães instalados na década de 1.930
Ao lado da Santa Casa de Misericórdia, a Igreja do Senhor Bom Jesus dos Perdões marca a paisagem da Praça Rui Barbosa. O espaço surgiu de forma modesta. Em 1901, havia apenas uma capela de 108 metros quadrados e um pequeno convento ocupado por frades franciscanos, que chegaram à cidade no fim do século XIX.
O crescimento da comunidade exigiu ampliação, que lançou a pedra fundamental da nova igreja em junho de 1907. Operários ergueram a construção entre maio e setembro de 1908 e a comunidade inaugurou o templo em julho de 1909. O frei Feliciano Schlag assina o projeto e responde por diversos templos franciscanos no Sul do país. A torre central atinge 42 metros de altura, mesma altura das torres da Basílica Menor.
“Seguindo as tendências europeias, a edificação consolidou o estilo neogótico na capital. A história da igreja marca a chegada dos primeiros grupos de imigrantes, em especial dos italianos, poloneses, alemães e ucranianos”, explica o arquiteto Tobias Bonk Machado.

Bom Jesus dos Perdões abriga sinos alemães instalados na década de 1.930
Ao longo das décadas, novos elementos reforçaram a identidade da igreja. Os sinos e o relógio da torre vieram da Alemanha e foram instalados em 1933. O conjunto inclui três sinos dedicados ao Senhor Bom Jesus, São Francisco e Santo Antônio, produzidos pela Fundição Irmãos Müeller.
A pintura original, de 1917, contou com participação de Paulo Hauer, integrante de uma família ligada à colonização de Curitiba. A via sacra em relevo de gesso foi produzida pela antiga fábrica de Gerd Claassen e Kaminski, conhecida por fornecer imagens religiosas para igrejas da cidade.
Intervenções alteraram parte dessas características ao longo do tempo. A partir da década de 1960, reformas removeram elementos originais, como pinturas com motivos florais. O restauro realizado na década de 1990 recuperou esses detalhes e buscou reaproximar o templo de sua configuração histórica.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












