Após ataques dos EUA e Israel ao Irã no último fim de semana, a instabilidade no Oriente Médio provocou a disparada do petróleo e do dólar. No Brasil, o cenário gera alerta sobre a inflação e pressiona as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic em um momento de vulnerabilidade interna.
Qual foi o estopim desta nova crise no Oriente Médio?
A crise foi desencadeada pela “Operação Epic Fury”, uma ação militar coordenada entre Estados Unidos e Israel realizada no sábado, 28 de fevereiro. Os ataques aéreos miraram infraestruturas militares e o programa nuclear do Irã, resultando na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. O governo de Donald Trump declarou que o objetivo é forçar uma mudança de regime no país, o que gerou imediata insegurança nos mercados financeiros globais.
Por que o preço do petróleo subiu tanto e pode chegar a US$ 100?
A maior preocupação é o Estreito de Ormuz, um canal estreito por onde passa até 35% do petróleo mundial. Se o conflito bloquear essa rota, haverá falta de produto no mercado. O barril do tipo Brent já subiu mais de 10% e analistas preveem que pode ultrapassar os US$ 100 ou até US$ 120 caso o bloqueio seja prolongado. O mercado trabalha com o chamado “prêmio de risco”: o preço sobe preventivamente pelo medo de que o abastecimento seja interrompido.
Como essa alta do barril chega ao bolso do consumidor brasileiro?
O impacto é em cadeia. Quando o petróleo sobe nas refinarias, a Petrobras sofre pressão para aumentar os combustíveis. Estima-se que cada 1% de alta na gasolina eleve a inflação (IPCA) em 0,05 ponto percentual. Além disso, o diesel mais caro encarece o frete de caminhões, o que faz subir o preço de quase tudo o que compramos no supermercado, desde alimentos até produtos industriais, gerando um efeito cascata em toda a economia.
Quais setores da bolsa de valores mais ganham ou perdem com a guerra?
Empresas de óleo e gás, como a Petrobras, tendem a lucrar mais com a valorização da commodity. Já as exportadoras de grãos e carnes enfrentam custos maiores de frete e risco de queda nas vendas para o Oriente Médio. Por outro lado, os setores de transporte e aviação são os mais prejudicados, pois o combustível de aviação sobe quase instantaneamente, reduzindo as margens de lucro das empresas aéreas.
O que muda nas decisões do Banco Central sobre os juros?
O Banco Central (Copom) está em um dilema. Antes do conflito, a expectativa era de novos cortes na taxa Selic para estimular a economia. Agora, com o dólar e o petróleo mais altos empurrando a inflação para cima, o BC pode ser obrigado a manter os juros elevados por mais tempo para evitar que os preços saiam do controle. A comunicação da autoridade monetária deve se tornar mais cautelosa nas próximas reuniões de março.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo




















