Tecnologias desenvolvidas no Paraná estão cruzando fronteiras e alcançando mercados considerados entre os mais exigentes do mundo. Empresas na Incubadora do Tecpar, vinculada ao Creative Hub do Instituto de Tecnologia do Paraná, exportam soluções industriais, ambientais e de mobilidade para países da América Latina, Europa e Ásia, em um movimento que reforça o papel do estado na agenda da inovação.
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A internacionalização é uma das metas previstas no nível mais avançado do modelo de certificação Cerne (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos), que orienta boas práticas para as incubadoras. Embora não detenha a certificação, a incubadora busca seguir pressupostos para futuramente retomá-la.
Segundo o gerente do Creative Hub, Rogério Moreira de Oliveira, o processo depende da maturidade e do tipo de tecnologia desenvolvida por cada startup. O Creative Hub mantém contatos com instituições da Argentina, Peru, Portugal e Coreia do Sul — este último país com aproximação impulsionada pelas atividades do Korean Valley no Paraná, especialmente na região de Ivaiporã.
A articulação inclui ainda parcerias com órgãos como Invest Paraná, Fundação Araucária e secretarias estaduais ligadas à inovação. A meta para os próximos cinco anos é atingir 20 empresas incubadas, implantar um processo estruturado de pré-incubação e fortalecer conexões que ampliem a inserção internacional.
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Incubadora do Tecpar e a estratégia de exportação da Biomec Bombas
A Biomec Bombas, fundada em 1990 e incubada até 1993, é um dos casos mais antigos de internacionalização entre as empresas apoiadas. Com sede em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, desenvolve bombas de vácuo para aplicações industriais, laboratoriais, médicas e odontológicas.
A entrada no mercado externo ocorreu em 2005, quando uma fabricante argentina de fornos odontológicos procurou a empresa. A partir dessa oportunidade, a Biomec iniciou exportações para países vizinhos, aproveitando a proximidade cultural e logística.
“Como estratégia de longo prazo é interessante, pois é uma forma de amenizar os altos e baixos do mercado interno e tornar a empresa mais competitiva”, afirma o fundador Carlos Pimenta. O caminho, segundo ele, foi construído com recursos próprios e enfrentando desafios que vão da conquista de clientes à adaptação a diferentes exigências regulatórias.
“Cada país protege seu mercado de uma maneira”, pontua. Cerca de 20% da produção da empresa é destinada ao exterior. Apesar dos avanços, Pimenta avalia que o Brasil ainda precisa evoluir em manufatura de precisão para ganhar competitividade global.
Incubadora do Tecpar impulsiona expansão internacional da Chemical Inovação
Criada a partir de um trabalho acadêmico, a Chemical Inovação atua no automonitoramento da qualidade da água em setores como saneamento, mineração, indústria têxtil e agro. A decisão de buscar o mercado internacional foi tomada em 2023, após a participação no Web Summit, em Lisboa, onde a empresa recebeu o prêmio de Solução Disruptiva da ApexBrasil.
A experiência revelou demanda, especialmente na Holanda, por tecnologias mais robustas e versáteis como o sensor Water Drop Marai. Desde então, a startup estruturou parcerias e realizou um projeto-piloto, em Portugal, dentro do programa PPR Portugal com o Fórum Oceano.
Segundo a fundadora Elaine Pires, o principal desafio foi a adaptação às certificações e regulamentações locais, embora a empresa já seguisse padrões internacionais. A operação internacional ainda está em fase de consolidação, com negociações com investidores e foco na geração de vendas em euro. Mesmo no início da trajetória externa, a empresa considera estratégico o posicionamento no mercado europeu.
Pumatronix aposta em validação tecnológica para competir no exterior
Na área de mobilidade e cidades inteligentes, a Pumatronix iniciou sua expansão internacional ao identificar demanda por tecnologias de fiscalização eletrônica na América Latina, especialmente na Argentina e na Costa Rica. A partir dessa inserção, ampliou atuação para América do Norte, Europa e Ásia.
Para o diretor-executivo da empresa, Sylvio Calixto, o maior desafio não foi apenas técnico, mas de credibilidade. “É difícil fazer o mercado externo acreditar em uma tecnologia eletrônica brasileira”, afirma, destacando a concorrência com empresas de China, Japão, Europa e Estados Unidos.
Além da validação tecnológica, a companhia enfrentou obstáculos regulatórios, adaptações a diferentes padrões de placas e integração com bases de dados locais. A empresa também aponta dificuldades na captação de investimentos e na formação de equipes especializadas no Paraná, especialmente em software e sistemas.

O mercado externo ainda representa parcela menor do faturamento, cerca de US$ 1 milhão por ano, mas é visto como estratégico para crescimento de longo prazo. Embora reconheçam avanços no ecossistema local, os empresários avaliam que o Paraná ainda está em fase de estruturação como polo tecnológico global.
Para o gerente do Creative Hub, o desafio é fortalecer as conexões internacionais e ampliar o suporte às empresas em fase de expansão. “Os empreendimentos chegam com uma ideia e precisam sair preparados para competir em mercados cada vez mais exigentes”, resume.
Autor: Gazeta do Povo








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