Para Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, essa provação chegou com força total e até de maneira antecipada
Dizem que o inferno astral é a fase onde o universo testa as pessoas ao limite antes de um novo ciclo começar. Dizem também ser um tempo de crises agudas e revisões profundas, onde tudo o que estava pendente parece vir à tona de uma vez.
Para Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, essa provação chegou com força total e até de maneira antecipada. Faltando poucas semanas para seu aniversário, no dia 14 de abril, ele se vê no epicentro de uma crise multifacetada.
Os problemas se acumularam rapidamente. Como se já não bastasse todo o intrincado vai-vem do caso Master, envolvendo o BC com STF, a Polícia Federal e ainda dois agora ex-diretores e servidores de carreira. Agora, é a política monetária um outro motivo para dor de cabeça.
Um choque inflacionário já acena com o conflito EUA-Israel-Irã, com a cotação do barril do petróleo tipo Brent atingindo um pico próximo de US$ 120 no domingo passado, no auge das preocupações com a segurança da produção e do transporte de petróleo na região. Hoje, a cotação oscila em torno de US$ 90 o barril.
Quando o preço da energia sobe rapidamente, existe sempre a possibilidade de contaminação ao longo das cadeias produtivas, do transporte a alimentos e fertilizantes. Com a aversão ao risco global, o dólar também sobe. E esse câmbio pressionado acelera o repasse para os preços internos.
Aí, a inflação volta a pressionar. Assim, o prometido -e, por que não dizer sonhado não só pelo mundo político, empresarial e também pelo mercado – início do ciclo de queda dos juros neste mês de março virou uma incógnita.
Para o Comitê de Política Monetária (Copom), o cenário é de desafio técnico. Como o conflito não tem dia nem hora para acabar, iniciar um ciclo de corte agora com a mesma dimensão que estava planejado pode ser arriscado. E isso poderia levar o BC a optar por começar devagar, devagarinho, leia-se uma queda de 0,25 ponto porcentual.
Por outro lado, adiar o início da flexibilização e manter o juro no nível atual de 15% por um período mais prolongado ainda pode trazer mais dor de cabeça. Fato é que o que parecia ser claro, não está mais.
O fechamento desse ciclo -não o da política monetária, mas do inferno astral de Galípolo – exige nervos de aço para lidar com questões que fogem totalmente ao seu controle. Mais uma prova de fogo para o menino de ouro.



















