A prévia da inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA-15, disparou para 0,84% em fevereiro, pressionada principalmente pelo aumento das mensalidades escolares e das tarifas de transporte, superando todas as expectativas do mercado e o 0,20% registrado em janeiro.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo IBGE e mostram que, no acumulado de 2024, o IPCA-15 já soma alta de 1,04%. Em 12 meses, o indicador acumula 4,10%, abaixo dos 4,50% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.
O resultado veio acima até mesmo da projeção mais elevada do mercado financeiro. Segundo a agência Bloomberg, a mediana das estimativas era de 0,57%, com intervalo entre 0,45% e 0,65%, o que significa que o IPCA-15 superou o teto das expectativas.
VEJA TAMBÉM:
-
Governo Lula limita saque-aniversário e empurra população de baixa renda para juros mais altos
O principal impacto partiu do grupo Educação, que subiu 5,20% e respondeu por 0,32 ponto percentual do índice geral. O aumento é típico do início do ano letivo, com reajustes nas mensalidades de escolas e cursos.
Dentro desse grupo, os cursos regulares avançaram 6,18% e tiveram contribuição de 0,28 ponto percentual. As maiores altas foram registradas no ensino médio (8,19%), no ensino fundamental (8,07%) e na pré-escola (7,49%), pressionando diretamente as famílias com filhos em idade escolar.
O grupo Transportes também pesou fortemente, com alta de 1,72% e impacto de 0,35 ponto percentual no índice. A maior variação foi nas passagens aéreas, que subiram 11,64%.
Os combustíveis aumentaram 1,38%, com alta do etanol (2,51%), da gasolina (1,30%) e do óleo diesel (0,44%), enquanto o gás veicular recuou 1,06%. O subitem ônibus urbano avançou 7,52% devido a reajustes em 6 das 11 áreas pesquisadas, e o metrô registrou alta de 2,22%.
Em Saúde e cuidados pessoais, a inflação foi de 0,67%, com impacto de 0,09 ponto percentual. Os principais aumentos ocorreram nos artigos de higiene pessoal, que subiram 0,91%, e nos planos de saúde, com alta de 0,49%.
O grupo Alimentação e Bebidas teve alta mais moderada, de 0,20%, contribuindo com 0,04 ponto percentual. A alimentação no domicílio subiu 0,09%, abaixo do resultado de janeiro (0,21%), enquanto a alimentação fora do domicílio avançou 0,46%, com aumento da refeição (0,62%) e do lanche (0,28%).
Entre os alimentos, o tomate disparou 10,09% e as carnes subiram 0,76%. No sentido contrário, o arroz caiu 2,47%, o frango em pedaços recuou 1,55% e as frutas tiveram queda de 1,33%.
No grupo Habitação, houve alta de 0,06% após recuo de 0,26% em janeiro. A taxa de água e esgoto subiu 1,97% e o aluguel residencial avançou 0,32%, enquanto a energia elétrica residencial caiu 1,37%, sendo o subitem de maior impacto negativo no mês, favorecido pela bandeira tarifária verde, sem custo adicional ao consumidor.
Autor: Gazeta do Povo



















