
O chanceler de facto do Brasil, o ex-ministro Celso Amorim, autor e ideólogo da política externa brasileira, conselheiro de política externa do presidente Lula, afirmou na televisão que “devemos nos preparar para o pior”. Eu levei um susto; imaginei que ele tivesse incorporado um dirigente do regime iraniano. Só podia ser isso: ele estava falando da guerra, e disse que “devemos nos preparar para o pior”. Depois, ainda afirmou que é “condenável e inaceitável” matar um líder de um país – ainda que esse líder não considere as mulheres como gente, ainda que promova matanças entre seu povo, ainda que imponha absoluta censura, ainda que seja a cabeça de um regime que há quase 50 anos vem esmagando o povo iraniano, na antiga Pérsia.
A política externa brasileira contraria a maior parte da nação. O Estado está a serviço da nação e não o inverso; o Estado tem de representar a nação. E a maioria da nação brasileira é ocidental, é judaico-cristã: a nossa cultura, a nossa língua, as nossas religiões, a nossa comida, a nossa música. Mas, enquanto o Ocidente está apoiando essa tentativa de mudar o regime do Irã, parece que a política externa brasileira caminha na direção contrária. Mas mudar não será fácil: o Irã é um hub, é um centro, é um eixo quase inexpugnável. Os únicos que conseguiram foram o meu xará da Macedônia e os romanos; ninguém mais conseguiu entrar por ali; os iraquianos, por exemplo, não conseguiram, ficaram nas montanhas.
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Guerra acaba afetando também quem não tem nada a ver com o conflito
Conversando com um amigo meu libanês, ele lamentou que os xiitas do Hezbollah, a mando do Irã, jogavam foguetes sobre Israel e os israelenses revidavam mirando não os executores, mas os comandantes que ficam abrigados no meio de Beirute. Como o Mossad sabe de tudo, Israel lança um míssil em Beirute, exatamente na casa onde eles estão abrigados, mas a explosão acaba afetando o quarteirão todo, e meu amigo lamentava isso. Mas não são apenas mísseis israelenses; os iranianos estão atacando países árabes, apavorando também os brasileiros que estão em Dubai, Abu Dhabi etc. Eu não tenho a menor vontade de ir a esses lugares, mas há quem goste.
Bloqueio no Estreito de Ormuz é oportunidade para o petróleo brasileiro
Um míssil afundou um petroleiro que ousou tentar passar pelo Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, de onde sai um em cada cinco barris de petróleo do mundo. Há no mínimo 150 petroleiros esperando passagem e os iranianos vão afundar todos os que tentarem passar. Isso já afetou o dólar e o preço do petróleo; ambos subiram bem na segunda-feira. O Brasil pode até ganhar com isso, e a Petrobras já deve estar pensando em como suprir a demanda com petróleo brasileiro, já que há tanto petróleo preso no Estreito de Ormuz. Como sabemos, nós produzimos muito petróleo, sim, e vamos produzir muito mais na Margem Equatorial. Eu nem sei por que temos essa ideia de estimular carros elétricos, se ainda temos tanto petróleo. O Brasil importa derivados de petróleo e exporta petróleo quando é negócio; e esta é a hora de fazer bons negócios.
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Ministro da Defesa alerta: precisamos de mais investimento
Nosso bom ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, aproveitou a incorporação, pela primeira vez, de mulheres no serviço militar no Exército, na Marinha e na Aeronáutica para lembrar que precisaríamos investir no mínimo 2% do no orçamento de defesa. Estamos praticamente desarmados. Agora fala-se em drones, o que é muito bom, mas como a Marinha vai cuidar desse mar cheio de petróleo, da nossa “Amazônia azul”? A Força Aérea também é mínima, agora que estão chegando os caças suecos. E o Exército, como vamos cuidar de nossa fronteira terrestre imensa? Precisamos, sim, de investimento. Nosso porcentual destinado à defesa é ridículo perto de outros países, inclusive como potência regional.
Autor: Gazeta do Povo








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