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Jazida de ouro de R$ 1,3 bi transforma cidade brasileira

A cidade brasileira de Monte do Carmo (TO) se prepara para uma nova fase de desenvolvimento. Um investimento de US$ 250 milhões — cerca de R$ 1,3 bilhão — na extração de uma jazida de ouro tem potencial para alterar consideravelmente o perfil econômico da cidade. Conhecido pela tradição rural, o município preserva patrimônio histórico que remonta ao século XVIII.

A escolha da mineradora peruana Hochschild Mining, que pretende iniciar os trabalhos neste ano, por esta cidade específica não ocorre por acaso. A região carrega tradição ligada à extração de ouro desde 1741, quando o então arraial de Nossa Senhora do Carmo ganhou fama após a descoberta de jazidas na área.

A nova unidade da mineradora terá capacidade para extrair e processar 6 mil toneladas de minério por dia. O projeto prevê 12 anos de vida útil para a jazida de ouro.

A Hochschild Mining atua na produção de metais preciosos, como ouro e prata, há mais de 110 anos. Em 2024, a mineradora investiu R$ 1 bilhão na operação de Mara Rosa (GO). A principal base da empresa fica no Peru e o grupo também mantém atividades em San José, na Argentina.

Segundo a empresa, o projeto de extração em Monte do Carmo está em fase de revisão de engenharia, etapa que define os parâmetros técnicos e operacionais antes do início das obras. O empreendimento recebeu Licença de Instalação do Instituto Natureza do Tocantins, além da Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos e da Autorização de Exploração Florestal.

“Estamos trabalhando para fomentar, regular e fiscalizar a cadeia produtiva da mineração e o estado do Tocantins apresenta resultados que mostram o potencial”, disse o presidente da Agência de Mineração do Estado do Tocantins (Ameto), Milton Neres.

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Monte do Carmo espera superar desafios sociais com exploração da jazida de ouro

Monte do Carmo registra Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,608 segundo a última medição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a 2010. O índice varia de 0 a 1 e considera renda, educação e saúde. A média nacional é de 0,765 – conforme dados de 2019 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Na área da saúde, o município dispõe de um hospital de pequeno porte e de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), voltada à atenção primária. Casos de média e alta complexidade seguem para unidades de referência em Porto Nacional ou na capital, Palmas, a 95 quilômetros da cidade.

O município possui menos de mil trabalhadores com carteira assinada. Comparativamente, a expectativa do governo estadual é de que a nova mina gere cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos na região. O Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 398 milhões e renda média formal em torno de R$ 2,4 mil.

“O início das atividades será a redenção de Monte do Carmo. Quando a mina entrar em operação, a previsão de faturamento é de US$ 250 milhões por ano. Como o município recebe 65% da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), a arrecadação deve crescer de forma significativa”, projeta o prefeito, Rubens da Paixão Pereira Amaral (PDT).

O prefeito também considerou os investimentos que devem ser feitos para atender o aumento da população. “Teremos de ampliar os serviços de saúde. Recebemos sinalização do governo do estado que o policiamento será reforçado. O abastecimento de água também vai precisar ser melhorado. E como o maquinário necessário para a mina é muito pesado, a mineradora vai fazer um anel viário, contornando o município”, diz Amaral.

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Antigas jazidas de ouro de Monte do Carmo viram alvo de garimpo ilegal

Em nota à Gazeta do Povo, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) manifestou apoio a projetos de ouro que cumpram exigências legais e ambientais em Monte do Carmo. “O Ibram é a favor do desenvolvimento da mineração legal, sustentável e responsável e uma vez que os investimentos sigam essas premissas, são sempre bem-vindos”, afirma a entidade.

Em 26 de fevereiro, a Agência Nacional de Mineração (ANM) desarticulou um garimpo clandestino de ouro em Monte do Carmo, com apoio da Polícia Federal (PF). A ação apurou denúncia de extração irregular e encontrou a atividade em pleno funcionamento.

No local, os fiscais identificaram galerias ativas e abandonadas, incluindo uma com cerca de 45 metros de profundidade. A equipe localizou máquinas e equipamentos usados na extração e no beneficiamento do minério. Os agentes também constataram a presença de mercúrio, substância tóxica e de alto potencial poluidor.

A PF abordou os garimpeiros em flagrante, sem registro de resistência. Após a identificação dos responsáveis, a ANM lavrou autos de paralisação da atividade e a PF apreendeu os equipamentos.

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Tocantins bate recorde com exportação de ouro

O estado do Tocantins iniciou 2026 com um marco histórico: exportou 222 quilos de ouro em janeiro, gerando US$ 29,6 milhões (R$ 152,7 milhões). O valor supera em 60% o registrado no mesmo período de 2025. Os dados são do Comex Stat, sistema da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O aumento acompanha valorização do ouro no mercado internacional. Em fevereiro de 2025, o metal custava cerca de US$ 92 mil por quilo. Este ano, o preço alcançou US$ 166 mil por quilo. De acordo com o governo do Tocantins, o estado arrecadou quase US$ 11,2 milhões a mais no período, mesmo exportando 10 quilos a menos que no ano passado.

O ouro do Tocantins foi direcionado a três países. O Canadá recebeu 126 quilos (57%), a Suíça levou 92 quilos (41%) e os Emirados Árabes Unidos compraram 4 quilos (2%).

Autor: Gazeta do Povo

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