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Juiz impede perícia em dispositivos de jornalista dos EUA – 22/01/2026 – Mundo

Um juiz dos Estados Unidos determinou, nesta quarta-feira (21), que o governo não pode periciar os dispositivos eletrônicos da repórter Hannah Natanson, do The Washington Post, apreendidos pelo FBI na semana passada como parte de uma investigação sobre possível compartilhamento de segredos de Estado.

A decisão indica que os objetos não podem ser periciados devido a um litígio pendente sobre a ação policial na casa da jornalista. “O governo deve preservar, mas não deve periciar nenhum dos materiais que as forças da ordem apreenderam”, escreveu o juiz William Porter na resolução.

Em 14 de janeiro, foram apreendidos na casa da jornalista seu computador de trabalho, um notebook, um celular e um relógio.

Natanson, que cobre notícias sobre o governo federal, informou sobre os cortes de empregos em Washington após o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, disse que a diligência, ordenada pelo Departamento de Defesa, é parte de uma investigação sobre um suposto vazamento no Pentágono de informação relacionada com a segurança nacional.

Agentes do FBI disseram a Natanson que ela não é o foco da investigação do governo. “Quem vazou [a informação] está atualmente preso”, disse Bondi.

Segundo documentos judiciais, Aurelio Pérez-Lugones, que trabalhava como funcionário terceirizado do Pentágono, foi preso na semana passada no estado de Maryland, embora não haja qualquer menção sobre o contato dele com jornalistas.

Pérez-Lugones foi acusado de levar para casa documentos de inteligência desde outubro de 2025.

Em comunicado, o Washington Post indica que a apreensão dos materiais confidenciais de sua jornalista “sufoca a liberdade de expressão, paralisa o trabalho dos jornalistas e causa danos irreparáveis”, para cada dia que os oficiais continuarem em posse dos equipamentos.

O jornal solicitou ao tribunal que impeça o uso dos materiais e que eles sejam devolvidos imediatamente. “Qualquer coisa menos que isso autorizaria futuras diligências em redações e normalizaria a censura mediante ordens de busca e apreensão”, acrescenta a nota.

Durante o atual governo de Donald Trump, o Departamento de Defesa impôs novas políticas restritivas para os meios de comunicação. Limitou o acesso da imprensa às instalações do Pentágono, forçou alguns veículos de comunicação a desocuparem seus escritórios no edifício e reduziu drasticamente o número de coletivas de imprensa.

Autor: Folha

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